Archive for the Etnogenealogia Category

Pequeno Guia muito introdutório para Historiadores Autodidatas

Posted in Etimogenealogia, Etnogenealogia on 26/03/2014 by Gustavo Augusto Bardo

Como Historiador Profissional, formado superiormente e com pesquisas inseridas em pesquisa metódica, me propus a esse pequeno guia visando a melhorar a qualidade da informação de interessados em história local, que se tornem “historiadores autodidatas” de suas cidades. É um guia muito simplório, então peço que busquem mais conhecimento, passarei uma breve fonte de referência introdutória a seguir, para começarem a ter uma visão mais aprofundada do que é realmente o trabalho do historiador, mas espero ao menos ajudá-los aqui a obter uma informação mais próxima da realidade!

Dicas de Análise Textual

  1. Desconfiem das adjetivações, tanto os elogios quanto as acusações podem, muito freqüentemente, remeter a preconceitos, discriminações, e hegemonias político-religiosas. Um método de Técnica de Filtro (há várias técnicas), que se pode usar, é remover todas as adjetivações positivas ou negativas, de um texto, e relê-lo novamente buscando entender seu nexo de eventos objetivos.
  2. Desconfiem das posições de destaque, pois quase sempre se referem a alguma política elitista e à hegemonia de algum grupo, para confirmar ou refutar isso, busquem ao outro grupo. Se façam a pergunta: Se Fulano representa a elite, quem será a oposição? E diante da busca dos opostos, será pela comparação de ambos os contextos que se aproximará da realidade, ou melhor, do panorama mais abrangente. Palavras exaltativas podem revelar opressão, nem sempre superação, e mesmo quando são superação, podem proceder de realidades muito mais tensas do que se observa com os olhos a primeira vista. O consenso de realidade, se faz com a média das observações de todos os grupos envolvidos, e de todas as tensões e soluções apresentadas nesse processo.

Dicas de Metodologias Sistemáticas

  1. História da Cultura Material e História do Cotidiano e da Vida Privada: muitas vezes um costume, uma superstição, uma tradição de família, uma crença particular de um dado grupo, um modo diferente de realizar uma tarefa, um modo tradicional de realizar determinado afazer, um modo específico de se socializar, ou um dado objeto usado, uma dada crença em torno de um dado alimento, um modo de se vestir, um modo de cumprimentar, um modo de casar ou de sepultar, um modo de abençoar aos que nascem, enfim, os costumes e os usos, podem ser trampolins para religiões, culturas ou etnias ancestrais, podem ser chaves para um passado que teve de se mascarar devido a perseguição e a preconceito, ou que foi sendo esquecido na sua essência, mediante a aculturação.  Ter atenção com essas coisas e fatos é essencial para encontrar as pistas que levam ao passado verdadeiro! É preciso olhar o presente como se fosse uma cena de crime, aonde cada dado do tempo atual pode ser uma peça de um quebra-cabeças que remete a descobertas surpreendentes!
  2. História Quantificada, como fazer uma Seriação Histórica simples e porque usá-la: as seriações são muito úteis em estudo Econômico ou Econometria Histórica, mas podem também ser úteis em Antropologia, para a obtenção de porcentagens de identidades culturais, ou como uma evidência de campo a mais. Para fazer uma seriação simples você vai precisar apenas de dois dados, um espacial e um temporal. O espacial pode remeter a tipologias de coisas de consumo ou de uso, sendo ideal você as definir por povos de procedência, e a temporal, pode ser medida em gerações de uma mesma família. Desse modo teremos a visão para cada tipo de objeto, da penetração ou resistência a determinada influência cultural. Pode se fazer isso para coisas, vestuários, objetos diversos, alimentos preferidos, comportamentos sociais, modismos diversos, e também para História do Imaginário, crença em determinadas criaturas fantásticas, crença em lendas, valores religiosos, envolvimentos a ideologias políticas, etc., e desse modo, família a família, se poderá ter melhor apreensão do quanto uma influência ancestral se preserva ou do quanto se abrem ao novo. Uma compreensão das gerações de maneira datada e um regresso a cada um desses contextos históricos, para saber o que se passava na cidade, no Estado, no país ou mundo a fora, poderão evidenciar se a mudança de costume é uma adoção de costume novo para aquele grupo, ou se ele resiste contra um panorama contrário, e assim destoando, pode evidenciar origens diferentes, ou a presença de um algo mais que não se vê, mas podia estar presente como ideia e sentimento.

Buscando em Fontes Referendadas

  • Prefiram a consulta em Arquivos Públicos, pois são em geral espaços científicos. Nem todo museu é científico, embora fosse o ideal, mas posso recomendar o Museu Histórico Abílio Barreto como um museu científico aonde talvez se possa obter informações de melhor abordagem. Muitos arquivos como o Arquivo Público Mineiro já tem parte da base de dados online. Outros arquivos que podem ser necessários são, para Minas Gerais, o Arquivo Público Municipal de Ouro Preto, o Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, o arquivo português da Torre do Tombo, o Arquivo Nacional Brasileiro, e também guarda documentos a Biblioteca Nacional Brasileira, além de vasta quantia de arquivos e museus específicos de cidades como São João del Rey, Sabará, Petrópolis, Salvador, etc., que pelos caminhos da administração do Brasil Colônia e do Brasil Império podem por vezes revelar a posse de documentos úteis. Sendo fundamental também se buscar nas cidades das quais procedem determinadas famílias, ou por onde passaram ou nas quais se casaram, sendo registros paroquiais, sempre que possíveis na opção religiosa das pessoas em estudo, muito úteis, inclusive para pistas sobre as famílias. Em casos mais arcaicos, há na Europa bases de dados de Genealogia mais confiáveis como a Geneall cujo único inconveniente é ter a maioria dos dados ao acesso meramente pago, então só recomendo seu uso quando o vínculo a famílias medievais for realmente comprovado e não fruto de exaltação especulatória. Alguns subsídios de famílias podem ser obtidos aqui mesmo em nosso blog, os que se referem a Resgate Identitário Celta. Outras bases de dados que podem ser úteis são as do Family Search ou os arquivos judaicos, ciganos, japoneses, chineses,  e referentes a diversas minorias imigrantes, que podem ser encontrados via Google ou em contato com centros pioneiros, grêmios imigrantes e associações e federações desses e de muitos outros povos.
  • No caso de recorrer-se a livros, não se esqueça de buscar referência em historiadores de Centros de Pesquisa, ou historiadores profissionais diversos, antes de se aventurar em leituras que possam também representar caminhos equivocados.

Bibliografia Essencial sobre Metodologia de Pesquisa Histórica

  • BLOCH, Marc. APOLOGIA DA HISTÓRIA. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
  • CARDOSO, Ciro Flamorion; BRIGNOLI, Héctor Pérez. OS MÉTODOS DA HISTÓRIA. Rio de Janeiro: Graal.
  • CARDOSO, Ciro Flamorion; VAINFAS, Ronaldo. OS DOMÍNIOS DA HISTÓRIA. Rrio de Janeiro: Campus.
  • LE GOFF, Jacques (org.). A HISTÓRIA NOVA. São Paulo: Martins Fontes.
  • LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. HISTÓRIA: NOVAS ABORDAGENS. Rio de Janeiro: Francisco Alves.
  • LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. HISTÓRIA: NOVOS OBJETOS. Rio de Janeiro: Francisco Alves.
  • LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre. HISTÓRIA: NOVOS PROBLEMAS. Rio de Janeiro: Francisco Alves.
  • MATTOSO, José. A ESCRITA DA HISTÓRIA. Portugal/Lisboa: Estampa.
  • VOVELLE, Michel. IMAGENS E IMAGINAÇÃO NA HISTÓRIA. São Paulo: Ática.

Boas pesquisas!

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Celtas e Íberos: os Ártabros

Posted in Cultura e História, Etnias Celtas e Íberas, Etnogenealogia on 24/02/2014 by Briogáledon

Começaremos aqui a abordar as etnias e tribos tanto de Celtas quanto de Íberos, em conjunto, uma vez que alguns grupos se confundirão, e em alguns casos terá toda a porcentagem sanguínea de um e toda a cultura de outro, então manteremos esses dois povos pré-históricos juntos, mesmo porque hoje há muitas pesquisas apontando para uma origem comum de ambos. Não há muito uma regra para a apresentação das tribos ou etnias, seguiremos a disponibilidade de informações ou o interesse no preenchimento de lacunas.

Hoje falaremos dos…

ÁRTABROS !!!

“According to Strabo, the Artabri (or Arrotrebae)[1] were an ancient Gallaecian Celtic tribe,[2] living in the extreme north-west of modern Galicia, about Cape Nerium (Finisterre), in the later counties of A Coruña or Ferrol. Strabo reports several seaports among the Artabri. Ptolemy[3] places them among Galaeci Lucenses and gives their capital town as Lucus Augusti (now Lugo).” (English Wikipedia)

Tradução Aproximada: De acordo com Estrabão, os Artabri (ou Arrotrebae) foram uma antiga tribo dos Celtas Galaicos, e viveram no extremo noroeste da atual Galiza, na redondeza do Cabo Nerium (a Finisterra), e próximo aos municípios de Corunha e Ferrol. Estrabão relata vários portos marítimos pertencentes aos Artabri. Ptolomeu os localizou entre os Galaicos Lucenses e lhes deu como capital a cidade de Lucus Augusti (hoje Lugo). 

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Artabri

No livro AS TRIBOS CALAICAS: PROTO-HISTÓRIA DA GALIZA À LUZ DOS DADOS LINGUÍSTICOS, de Higino Martins Esteves, cita-se o seguinte trecho:

“NA VERDADE, QUEM ERAM OS ARTABRI?
(Texto que fez parte do meu contributo ao III Congresso Internacional da Língua Galego-portuguesa na Galiza, em Vigo e Ourense, Setembro e Outubro de 1990)

1. Duvida-se dos limites dos ártabros e mesmo a existência se lhes questiona. A origem da dúvida está nas notícias dos autores antigos. Estrabão (séc. I a.C.) põe-nos sempre “no Norte”: II 5, 15 “navegando aos chamados ártabroi o rumo é para o Norte”; III 2, 9 “Entre os ártabroi, que moram no mais distante do Setentrião e do Ocaso da Lusitânia”; III 3, 5 “Os derradeiros são os ártabroi, que moram perto do cabo que dizem Nérion, onde se junta o lado ocidental e o setentrional”. Precisões que pouco aclaram; o Nérion  próximo pode notar qualquer distância. Notícia mais precisa é a que situa o grande Porto dos Ártabros numa baía com muitas cidades apinhadas, que se identifica com as rias da Corunha e do Ferrol (III 3, 5). No mesmo trecho diz que também se chamam arrotrebas; logo são dous nomes e não deturpações ou variantes de um só. Para P. Mela (III, 13), os artabri estão na costa do norte e imediatamente vêm os ástures. Mesmo os álbiones (últimos do lucenses antes dos ástures, para Plínio) eram artabri. Este é logo um nível de agrupamento humano diverso e maior do que o dos álbiones. Plínio nega existir a gente dos artabri. Diz a que será a dos arrotrebas, que por “manifesto error”, por uma troca de letras, se lhe atribui o nome de artabri. Confuso parece, sem que saibamos se a confusão nasce aí ou nas fontes. Não nega a palavra artabru-, mas recusa atribuí-la aos arrotrebas; sim ao “promontório de longa ponta, por uns chamado Artabrum, por outros Magnum e por muitos Olisiponense pelo oppidum deste nome [Olisipo, Lisboa], cabo que separa as terras, os mares e o céu” (IV 113). Quer dizer, atribui Artabrum ao Cabo da Roca, o do lado norte da foz do Tejo.
2. Cabo Ártabro tão longe do Magnus Portus Artabrorum corunhês? Não sei se se estudou. Cuido que quadra aceitar o notícia explícita, resultado confuso mas de transmissão certa. Artabro- não é etnónimo, é outro, que quadra indagar. A buscar ocorreu-me uma ideia, que depois vi partilhada por Torres Rodríguez1: ártabro é “do norte”. O cabo boreal da foz do Tejo era o Promontorium Artabrum porque artabro- era “setentrional, do Norte”; os artabri
de Mela, ártabroi de Estrabão, eram simplesmente “os (callaeci) setentrionais, do Norte”. Não saber céltico explica as hesitações dos autores grecolatinos. Nas notícias transparecem as vozes dos intérpretes locais.
3. É geral aceitar que artabri inclui o célt. ARTOS “urso”. Coromines acordava. O que não creio é que fale na abundância do animal nos soutos galegos. Sim à constelação da Ursa, que nota o polo norte celeste. Era céltico chamar tais estrelas com o nome da Ursa? A origem do mito, difícil de discernir, vem da pré-história e é  pan-europeia. A versão ocidental comum é a grega, não única: Calisto, companheira de Artemisa, qual ela jurara ficar virgem. Seduziua Zeus na forma de Artemisa e ficou prenhe. Quis ocultá-lo, mas Artemisa no banho descobriu-
a e virou-a em ursa. Artemisa, por caçá-la, ou Zeus, por ocultá-la; as versões diferem. Zeus acolheu-a no céu e pôs sua imagem nas estrelas (a Ursa maior e menor). Calisto é forma arcaica ou forasteira da própria Artemisa. Esta vincula-se aos ursos, cf. a célt. Artiū. Calisto era mãe de Árcade, avô dos arcádios, logo a sua Senhora dos Animais,
e dos ursos. Figura as Artemisas “hiperbóreas”. A virgindade é o cariz bravio, isento de humanos, da terra na que é Senhora dos Animais. Para R. Graves é um dos três aspectos da Terra. Identidade e articulação destas figuras têm grande interesse, mas excedem o intuito atual, que é sublinhar as raízes europeias do mito, anterior à difusão clássica. O mito que une Polo Norte e Grande Ursa é de origem pan-europeia.
4. ARTOS crê-se vir do ie. *ṛkþos, cf. scr. ṛksah, gr. ἄρκτος, lat. ursus. A desinência -abronão é clara; também é de cantabri e *vellabri 2. Se tivéssemos só artabri, com a suspeita do vínculo com a Ursa do cèu, talvez pudéramos crer o -A- ser vogal temática de ARTĀ “ursa”, mas, ante essoutras formas, não é provável. A desinência será de locativo.
A ideia a ocorrer-me é unir -abro- ao célt. *MROG(I)- “país fronteiriço” 3, irl. mruig, bruig m., galês, córn., bret. bro f., presente em *KÔMBROGES “os compatriotas, paisanos”, nome que a si se davam os britanos que ora dizemos galeses 4, cf. os gauleses broga (“brogae Galli agrum dicunt”) e allóbroges “estrangeiros”. A sequência seria assim: indo-europeu *ṛkþ(o)-mrog(i)- > protocélt. *ART-AMROG- > *ARTA-BROG-. Cumpre explicar a falta do -G(I)-. Talvez tenha algo o tom. Em cômbroges e allóbroges é imediato anterior, em ártabro- e cântabro- vai mais afastado. Estes adjetivos frequentes sofreram erosão no singular. *ÁRTA-BROG-, nominativo sg. *ÁRTABROXS, fezse
*ÁRTABROSS, e depois *ÁRTABROS, caindo nos temas em -O. Da confusão viria o plural *ÁRTABROI. Na nova versão de marca no DCECeH de Coromines, onde se fala no galego cômaro, port. mod. cômoro, topo a hipótese do étimo *KÔMMERGO- “confinante”, que lhe provocou similar aperto para explicar a elisão do -G-. Isso anima-me a propor a solução simples de uma base já sem -G-, o que dilui o aperto de cômaro e ártabro-: *MRO-, quer dizer, *KÔMMRO- > *KÔMMARO- > cômaro, e também *RKÞ(O)-MRO- > *ÁRTAMBRO- > ártabro-. Seria “da terra confinante (do lado) da Ursa”. Isso quanto ao céltico. A passagem ao latim explica artabrī (de *ÁRTABROI) e artaber (de *ARTABROS, cf. lat. vir ante célt. WIROS; em céltico também pôde haver tais reduções: gutuater parece tema em -O).
5. ÁRTABRO- seria “do país limítrofe (para o lado) da Ursa”, depois meramente “para o lado da Ursa, setentrional, ártico”. Mesmo sem atinar no sufixo, é difícil não juntar ártabro- e ἀρκτικός. Logo ÁRTABRO- “do Norte, do lado da Ursa” opõe-se a DEXSIO- “destro, da (mão) direita, do Sul”, pois a orientação pelo Leste determina [no hemisfério norte] a mão direita assinalar o Sul.
6. Arrotrebae parece etnónimo. Há TREBĀ “casa familiar; unidade agrária” em Contrebia, atrebates, trebacorii e outras. ARRO-, cf. a gramática céltica, foi o célt. comum *ARSO-, ie. *ers(o)- “másculo”. Nos guerreiros halstáticos de ethos homérico eram usuais nas autodesignações a afouteza e alarde, cf. no samurai japonês. ARROTREBĀS “casas de machos” é próximo de arroni (arronii), latinização de *ARRONIOI, similar a arrotrebae: *ARRONIO-
< *arsonio- < ie. *ers-(onio)-, cf. gr. ἀρσένιος, ἀρσενικός, ἀρρενικός. Como estes, será “masculino, bem macho”. Algo próximo de nerii ou *NERIOI “viris, varonis”. Se atinar, não falaremos mais na tribo dos ártabros e saberemos mais da língua calaica.

1 Casimiro Torres Rodríguez, La Galicia Romana, Corunha, 1982, p. 120. 2 Para MacNeill é *VELLABRĪ (em T. F. O’Rahilly, Early Irish History and Mythology, Dublin, 1976, p. 9). 3 J. Vendryes, op. cit., M, p. 67. Cf. lat. margō, -inis e gót. marka. 4 Galês procede do nome que lhes deram os seus vizinhos saxões, welisć “estrangeiro”, ingl. welsh.”

O Dictionary of Greek and Roman Geography (1854)  de William Smith, LLD, Ed. amplia essa territorialidade e faz conexões dos Ártabros com a região do rio Tejo, o texto parece concluir por um erro de Plínio, vejamos a nota em inglês, para quem desejar analisar essa outra via:

AR´TABRI

Eth. AR´TABRI (Eth.Ἄρταβροι, Eth. Ἀροτρέβαι, Eth. Arrotrebae), a people in the extreme NW. of Hispania Tarraconensis, about the promontory Nerium (C. Finis terre), and around a bay called by their name [ARTABRORUM SINUS], on which there were several sea-port towns, which the sailors who frequented them called the Ports of the Artabri (Ἀρτάβρων λιμένας). Strabo states that in his time the Artabri were called Arotrebae. He places them in Lusitania, which he makes to extend as far as the N. coast of the peninsula. We may place them along that part of the coast of Gallicia, which looks to the NW. between C. Ortegal and C. Finisterre (Strab. iii. pp. 147, 153, 154; Ptol. 2.6.22). Strabo speaks of the Celtici, in connection with the Artabri, as if the latter were a tribe of the former (p. 153); which Mela expressly states (3.1.9 ; but the text is doubtful). Ptolemy also assigns the district of the Artabri to the Gallaeci Lucenses (Καλλαϊκῶν Λουκηνσίων, i. e. having Lucus Augusti for their capital: 2.6. § § 2, 4).

Pliny (4.20, 22. s. 34, 35) places the Arrotrebae, belonging to the conventus of Lucus Augusti, about the promontory Celticum, which, if not the same as the Nerium of the others, is evidently in its immediate neighbourhood; but he confuses the whole matter by a very curious error. He mentions a promontory called Artabrum as the headland at the NW. extremity of Spain; the coast on the one side of it looking to the N. and the Gallic Ocean, on the other side to the W. and the Atlantic Ocean. But he considers this promontory to be the W. headland of the estuary of the Tagus, and adds that some called it Magnum Pr., and others Olisipone, from the city of Olisipo (Lisbon). He assigns, in fact, all the W. coast of Spain, down to the mouth of the Tagus, to the N. coast; and, instead of being led to detect his error by the resemblance of name between his Artabrum Pr. and his Arrotrebae (the Artabri of his predecessors, Strabo and Mela), he perversely finds fault with those who had placed about the promontory Artabrum a people of the same name, who never were there (ibi gentem Artabrum quae nunquam fuit, manifesto errore. Arrotrebas enim, quos ante Celticum diximus promontorium, hoc in loco posuere, litteris permutatis: Plin. Nat. 4.22. s. 35; comp. 2.118. s. 112).

Ptolemy (l.c.) mentions Claudionerium (Κλαυδιονέριον) and Novium (Νοούιον) as cities of the Artabri.

Strabo relates, on the authority of Posidonius, that, in the land of the Artabri, the earth on the surface contained tin mixed with silver, which, being carried down by the rivers, was sifted out by the women on a plan apparently similar to the “goldwashings” of California (Strab.iii.p. 147).

[P.S]

Dictionary of Greek and Roman Geography, illustrated by numerous engravings on wood. William Smith, LLD. London. Walton and Maberly, Upper Gower Street and Ivy Lane, Paternoster Row; John Murray, Albemarle Street. 1854.”
Fonte: http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus:text:1999.04.0064:id=artabri-geo

Na Wikipedia en Español encontramos indícios de sua religiosidade:

“Los ártabros eran una tribu de origen celta asentada en el noroeste de la actual Galicia. Eran los pobladores de la zona que comprende la ría de La Coruña y la ría de Ferrol hasta la llegada del propio Julio César en el año 62 a. C.

Junto con célticos y nerios parecen configurar un grupo diferenciado dentro del pueblo de los galaicos. Vendría en apoyo de esta hipótesis la ausencia de las habituales ofrendas a los dioses galaico-lusitanos Bandua y Reue en sustitución de Cossu (divinidad también presente en territorio de los astures pero no en la Bracarense y Lusitania). Su diferenciación respecto a otros galaicos también es comentada por Estrabón:

Los que viven más alejados son los ártabros, en la región del cabo que llaman Nerio, que separa los flancos occidental y norte. En ella viven también célticos, emparentados con los de las orillas del Anas. Dicen que en una ocasión en que hicieron allí una campaña militar éstos junto con los túrdulos, hicieron defección tras pasar el río Limia.

(Estrabón 3.3.5)

Estrabón se refiere a los célticos de la Beturia, asentados en el valle del actual Guadiana, y a los túrdulos célticos de la costa media de Portugal. Si desertaron tras cruzar el Limia, se desprende que no encontraron en brácaros y callaecos, las mismas relaciones de identidad que con los célticos del norte.”

Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/Ártabros

O trecho cita que Bandua e Reue deuses galaico-lusitanos eram cultuados pelos Ártabros em lugar de Cossu, deus dos vizinhos Asures, o que pode mas não obriga nos sugerir que a tribo dos Ártabros possa ter migrado para esse ponto, e talvez dando alguma razão a Plínio. Estrabão também parecia ter suas dúvidas quanto aos Ártabros serem aparentados àqueles tempos aos Galaicos e Celtas do Norte.

Seja como for, hoje em dia, sem dúvida já estão bastante misturados.

Abaixo mapa com as localizações das tribos Celtas e Íberas e outros povos. Para consultar os Ártabros, procure-se por Arrotrebae:

Populi150dpi(clique para ampliar a imagem)

CURIOSIDADES

Entre as famílias Galegas apontadas como de origem Ártabra está a família ANDRADE, que por ser topônimo, abarca tanto as várias famílias artesãs, camponesas ou de ofícios vários das regiões aonde se fixava o Andreati como também os nobres cujo brasão de Andrade se refere, e que são primos dos Andrada nobres portugueses, de José Bonifácio de Andrada. De volta a Higino Martins Esteves sobre os Andrade ele diz:

“Abundante na Galiza é Andrade. O lugar mais relevante, por origem do famoso nome de família, é o do concelho desse nome em Pontedeume. Supõe *ANDE-RĀTIS “grande muralha ou baluarte”, com *ANDE- intensivo, e RĀTIS, cf. gaél. ráth, > ingl. rath”

A presença de topônimo com semelhança linguística com o gaélico sugere a proximidade étnica com os Celtas das Ilhas Britânicas, tal como os Irlandeses aonde se encontra a palavra ráth como nome de uma aldeia semi-autônoma e fortificada. Veja o artigo A Aldeia Celta: O Espírito de Tribalidade de um Povo Genuinamente Nativo.

E os diferencia dos Andreade:

“De Paradela são o rio Loio, o Sancroia e o lugar de Andreade. Um era *LOWODIO-, adj. em -(O)DIO- feito sobre *LOWO- “água (de lavar)”, que logo será “(rio) dos banhos”. Vimos Sancroia ao falar nos limites: *SAN-KROUDIĀ “a nomeadamente Cruel”. Andreade tem em comum com Andrade só o intensivo ande; seria *ANDE-RĒDATI– “grande Corredor, Viageiro”, que não sei o que significaria. Suspeito referir-se a um deus solar.”

O veio nobre dos Andrade possui sua origem justamente na região dos Ártabros, seguindo com a Wikipédia em Galego:

Fernán Peres de Andrade, o Boo ou Fernán Pérez de Andrade, primeiro señor de Pontedeume, Ferrol e Vilalba foi un dos máis salientados aristócratas do reino de Galiza durante o século XIV. Figura controvertida polos seus cambios de lealdade e as usurpacións de bens alleos. Porén, destaca polo seu mecenádego nas letras galegas e as xenerosas doazóns que fixo.

Ascendentes

Fernán Peres de Andrade foi un membro sobranceiro da Casa de Andrade, fillo de Roi Freire de Andrade e de Inés González de Soutomaior[1]. Os primeiros membros desta liñaxe, orixinaria da freguesía, e logo couto, de Andrade en Pontedeume do cal foron os administradores, datan do século XII e son prestameiros (delegados rexios que velaban pola administración de xustiza) e encomendeiros dos mosteiros de Caaveiro e Monfero. A xenealoxía clásica fai descender, sen moito fundamento, á Casa de Andrade dos condes de Trava[2].

Fonte para ler mais:

Eram os Freitas também de sangue Picto-Bretão?

Posted in Etnogenealogia on 05/12/2012 by Gustavo Augusto Bardo

Embora eu considere muito radical a citação, é preciso deixar claro que para muitos Medievalistas, todas as famílias de Europeus OCIDENTAIS de hoje em dia descenderiam de nobres da alta à pequena côrtes, porque não havendo ascensão social àquela época, os pobres teriam morrido pobres mesmo, e não poderiam ter virado burgueses. Os burgueses seriam nobres com visão libertária, o que de fato se verifica na participação de diversos movimentos, como o próprio Barão de Montesquieu que acaba prenunciando a Revolução Francesa com suas idéias republicanas. A aguerrida e altamente militarizada Carbonária, uma maçonaria chamada florestal (em contraposição às lojas dos “pedreiros”), franco-italiana, e armada até aos dentes, surge também a partir dos ideais de um nobre, que acaba virando santo, curiosamente. Mas há que se considerar também os ALÓDIOS, alódios são pequenas propriedades de produção intensiva, despregadas do contexto servil feudal, e derivadas das propriedades de aldeias ou clãs de guerreiros e guerreiras de povos anteriores como os vários povos bárbaros (germânicos, nórdicos, alanos, etc.) que invadem à Europa, ou os Celtas, que já estavam pela área. Esses alódios geram o que definimos como CAMPONESES ALODIAIS, eram um enclave social entre o feudal e o mundo livre, pois não obedeciam a nenhum senhor, e em geral se vinculavam a identidades étnicas, microrregionais ou macro-familiares.

Alódio é a propriedade de Willy Wallace que aparece no início do filme CORAÇÃO VALENTE. Os alódios desenvolveram camponeses que eram livres, montavam e lutavam a cavalo, fabricavam suas próprias armas e lutavam com espadas, e possuiam tradições de seus ancestrais tribais. Esses camponeses deram origem à Cavalaria, ou pequena nobreza européia Ocidental, pois cooptá-los foi a solução do sistema feudal. E os rituais das cavalarias medievais com suas iniciações esotéricas são diretamente relacionáveis às tradições tribais de Celtas, Godos, Suevos, Vândalos (o povo), Alanos, e outros povos tribais. Muitos castros (“castrum“, singular), citânias, ou ópidas (“oppidum“, sing.), de Celtas se desenvolveram na função de alódios e geraram vilas de jurisdição livre. A única região da Galícia a ter camponeses donos da própria terra na Idade Média, o “Logar do Ribeiro” é onde surge a família Ribeiro/Ribeira/entre outras grafias, aonde camponeses decidem lutar contra os monastérios e a nobreza e exigirem seu direito a Terra. É previsível que fossem camponeses alodiais e que já estivessem reclamando direito sobre aquelas terras, talvez de seus ancestrais, ou viessem de terras desse status, que lhe tenham sido desapropriadas, precisamos ter em mente que os Celtas em particular são um povo indígena Europeu, e que padecem de semelhantes panoramas aos de outros povos fora-do-sistema.

OS FREITAS SÃO CITADOS POR JOSÉ MATTOSO, grande, senão o maior, historiador português como CAVALEIROS AUTÓCTONES, portanto, é certo que fossem camponeses alodiais, e a se julgar a presença de CAVALEIROS OUVEQUES (Oveques, Veques, Ouvegues, e outras muitas grafias) como ancestrais, e que o dom da cavalaria viesse desse ramo, ainda que a matriarca Urraca Mendes os tivesse aos montes como ancestrais, ela parece mais uma legitimadora da nobreza, ainda que se amassem, pode ter sido um contexto cooptador desses OUVEQUES que aprontavam muita confusão na GALÍCIA, e quase a mesma época, RODRIGO OUVEQUES (Rodrigo Ovéquiz, em galego), teria promovido a última grande revolta de NOBRES GALEGOS, para tentar derrubar o Rei, e talvez colocar o inglês Guilherme o Conquistador, em seu lugar, o que aliás, sugere sua relação com as Ilhas Britânicas, e potencializa a uma origem Céltica ou algum emaranhamento sangüíneo com essa etnia, que diga-se de passagem, é predominante, ainda aos dias de hoje, nas comunidades de Galícia, Astúrias, Cantábria e no Norte de Portugal, e essas regiões, hoje, são reconhecidas como Celtas.

Embora hajam várias interpretações para o conceito OUVEQUE e várias grafias, tais como OUVEGUE, OUVEGUES, OVECO, OVEQUE, OVEQUES, VEQUE, VEQUES, OVÉQUIZ, entre outras, e OBÉQUEZ, que parece a mais arcaica, e não se saiba se procede de “des éveques”, para citar os muitos bispos da família, ou se vem do basco “hobeko”, ou talvez de vocábulos Godos, ou mesmo Celtas, embora seja claro o fato de ser patronímico, e vir de OVECO ou OVEQUO, pai de Gonçalo Ouveques, e também Rodrigo Ouveques (Rodrigo Ovéquiz, da Galícia), tem um pai Oveco (Oveco Vermúdez, grafias galegas, para no caso família Bermúdez, que aparece nos nobiliários dos povos do norte ibérico repetidas vezes), e cuja relação a Gonçalo não é clara, mas creio certo o parentesco, então, creio bastante que seja plausível considerar essa CAVALARIA AUTÓCTONE como dotada de boa dose de sangue CELTA, uma vez que ao serem nativos e seus parentes galegos, membros da NOBREZA GALEGA, e indubitavelmente Celta, não haveria como considerá-los dentro da “gens” visigótica invasora, embora mesclas com Godos e Suevos sejam mais previsíveis, pois esses dois povos chegaram antes, e se mesclaram com maior facilidade aos Celtas que dominavam toda essa região.

Considerando ainda as migrações de PICTOS/BRETÕES para a Armórica nos Séculos V e VI, e aí criam a atual Bretanha, na França, e daí migram para as Astúrias e a Galícia, e formam comunidades monasteriais chegando ali com um Cristianismo Celta Insular, e que ocupam na Galícia Bracarense ou Gróvia, o atual Norte de Portugal, a região Mindonense, que inclui o Minho português e o Baixo-Miño galego, é de se prever possível uma certa dose de sangue Picto (e Caledônio) e Bretão, nessa Nobreza Galega Cristianizada, e que tanto se percebem folclores de origem Britânica na região que ainda nessas se celebram festas relacionadas ao Samhain e ao Beltaine célticos, costumes sincréticos certamente transportados por essa migração, visto que os Celtas Ibéricos possuiam crenças Galo-Romanas, ou seja, mescladas às mitologias Romana e também por tabela à Grega. Essa migração teria acontecido depois da batalha que uniu Bretões, Pictos e Romano-Bretões na Muralha de Adriano contra os Saxões, em Badon Hill, batalha essa retratada no cinema com o Rei Arthur de Fuqua e Franzoni, baseado na versão arqueológica atual. Parte desses povos teria ficado no novo reino, outra parte teria migrado em atividade expansiva ou dispersiva, ainda não se sabe, mas a sugestão de que os Galegos tramassem colocar um rei inglês como seu Rei não apenas sugere a preservação dessa suserania, como evidencia de que de fato fossem e se vissem como descendentes de Pictos/Bretões, embora Guilherme fosse normando, é fato incontestável de que obteve apoio dos Bretões da Armórica, e os tinha em suas tropas, e possivelmente esses galegos Ouveques o apoiassem, por também se verem Bretões, fica aqui a observação panoramizadora.

Na batalha de Badon Hill, Romano-Bretões como Artorius Castos, o rei Arthur histórico, os Pictos, chamados woads no filme, e os Bretões, que derivados dos brigantes tinham suas relações com Irlanda e também Galícia já de antemão, se unem contra os Saxões, na primeira tentativa de invasão, apesar do filme ser romanceado, é aqui recomendado por ser mais baseado nas pesquisas atuais que outras versões medievalizadas. Após essa batalha, essa mesma etnia mesclada migrará para o continente, ou se expandirá, pois não há consenso ainda se foi diáspora ou se foi conquista. Mas há indícios de que bretões e pictos já estivessem relativamente misturados a essa altura.

Por Urraca Mendes, esposa de Diogo Gonçalves, filho de Gonçalo Ouveques, ancestrais Cântabros e Asturianos, bem como mais atrás, Gauleses e Galo-Romanos de Hispânia e de Gália, entre outras tribos Celtas possíveis nos lados germânicos e no lado aragonês, parece certo e sem dúvidas. Considerando que os Picto-Bretões migraram para as Astúrias também, e que nessa época, essa incluisse parte da Cantábria, então não seria estranho esse “gens” também por Urraca, ou ela própria se ver nele. É preciso recordar que essas pessoas eram nobres e tinham mais acesso aos livros de nobiliários da época do que nós agora, que dependemos dos que restaram.

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