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Druidismo/ Neodruidismo/ Wicca: Paraísos Celtas

Posted in Acervo Literário, Celtismo, Cultura e História on 09/07/2017 by Gustavo Augusto Bardo

Paraísos Celtas

Os paraísos celtas ou Outro Mundo da mitologia celta é o reino dos mortos, o lar das divindades ou a fortaleza de outros espíritos e entidades tais como os Sídhe. Os contos e o folclore o descrevem como existindo além do mar ocidental, subterrâneo (como nas colinotas Sídhe) ou ao lado do mundo dos vivos, mas invisível para a maioria dos humanos.

 

Abred

Abred est un des plans de l’existence développé par le néodruidisme. Il représente le « monde des épreuves », soit le niveau des incarnations1,2.
Les autres plans sont : KeugantAnnwvyn (parfois Annwn) et Gwenved.
Cythraul est pour certains3 le non monde ou le néant mais pour d’autres2 une figure symbolique du non-être attaché à Annwvyn.

Abred é um dos planos de existência desenvolvidos pela neodruidismo. São os “acontecimentos mundiais”, o nível de encarnações.
Outros planos são: Keugant, Annwvyn (às vezes Annwn) e Gwenved.
Cythraul é certamente o mundo ou não nada mas outros uma figura simbólica de não estar ligado a Annwvyn.

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Ablach ou Avalon

Avalon (provavelmente do celta abal: maçã) é uma ilha lendária da lenda arturiana, famosa por suas belas maçãs. Ele aparece pela primeira vez Historia Regum Britanniae (“A História dos Reis da Bretanha”) de Geoffrey of Monmouth como o lugar onde a espada do Rei Arthur, a Excalibur foi forjada e posteriormente para onde Arthur é levado para se recuperar dos ferimentos após a Batalha de Camlann. Como uma “Ilha dos Bem-aventurados” Avalon tem paralelo em outros lugares na mitologia indo-europeia, em particular a Tír na nÓg irlandesa e a Hespérides grega, também conhecidas por suas maçãs. Avalon foi associada há muito tempo com seres imortais, como Morgana Le Fay.

Na lenda arturiana, Avalon era uma ilha lendária encantada onde “Excalibur”, a espada do Rei Artur, tinha sido forjada e para onde o próprio rei tinha voltado vitorioso depois da sua última batalha para ser curado de um ferimento mortal.

Em algumas versões, Avalon é regida por Morgana, uma sacerdotisa da antiga religião rodeada de nove donzelas sacerdotisas responsáveis pela cura de Artur, deitado numa cama de ouro. Numa outra versão ela é descrita como sua meia irmã.

Em uma outra versão, o Rei Arthur é ferido em combate, e então levado pela Dama do Lago a uma Avalon mística do além, paralela ao mundo real, onde Artur permanece retirado desse mundo, tornando-se para sempre imortal.

Em algumas versões da lenda, ele não resiste à viagem e morre, tendo sido enterrado então em Avalon; em outra versão, ele estaria só dormindo, esperando para voltar num futuro próximo, pois, a ilha seria um refúgio de espíritos, a qual permitiria a ele permanecer vivo por meio das artes mágicas.

Na ficção histórica As Crônicas de Artur de Bernard Cornwell, parte da trilogia sobre a saga arturiana, o autor dá um outro nome a Avalon, Ynys Wyndryn, porém ele mesmo também cita Ynys Mon em sua narrativa de ficção histórica, mascarando a verdade da ficção que mistura pesquisa histórica e lenda.

Ynys Wydryn (Ilha do Vidro), ou Avalon, era em termos lendários o local onde vivia Merlin juntamente com Viviane, que era grã-sacerdotisa e tia de Arthur (que nunca chega a ser rei), onde era possível utilizar a magia, ou seja, o poder divino dos deuses antigos.

Avalon, Ynys Wydryn ou Ynys Mon era um lugar de conhecimento sobre os deuses pagãos antigos onde os druidas passavam o conhecimento antigo de geração em geração. Era o lugar onde se aprendia o conhecimento da religião antiga o druidismo, sendo Merlin o senhor de Avalon ou Ynys Wydryn, que construíra Tor, uma torre onde vivia e guardava todos os seus memoráveis e quem sabe mágicos tesouros.

A Senhora do Lago é designada como autoridade máxima da ilha, e Artur era filho do rei Uther Pendragon, que no passado, era seguidor da crença da Deusa, como também a mãe de Artur, Igraine. Arthur faz um pacto de reacender a crença da Senhora do Lago para que com o passar do tempo ela não se apagasse.

No fim de tudo, Ynys Wydryn ganha um papel importante, pois quando Artur foi ferido mortalmente em batalha pelo filho do seu irmão, que era o Rei de Dumnonia, após a morte de Uther, Mordred, ele teria sido supostamente levado de barco à ilha por sua meia irmã Morgana ao Lago, para onde através dos poderes que a Deusa havia lhe dado ela poderia retornar.

No caminho, ela foi recusada por ter desprezado a Deusa e o único jeito de retornarem à Avalon foi Artur devolver a Excalibur ao Lago, onde habitava a Deusa. Sua sepultura foi feita em Avalon, na terra de Merlin, Ynys Wydryn, juntamente com o corpo de sua amada Guinevere.

Em torno de 1190 Avalon tornou-se associado com Glastonbury, quando monges da Abadia de Glastonbury alegaram ter descoberto os ossos de Artur e sua rainha. É no trabalho de Giraldus Cambrensis que encontra-se a primeira conexão:

“ O que agora é conhecido como Glastonbury foi, em tempos antigos, chamado de Ilha de Avalon. É praticamente uma ilha, pois é completamente cercada por pântanos. Em galês, é chamada de “Ynys Afallach”, o que significa Ilha das Maçãs uma vez que esta fruta cresceu em grande abundância. Após a batalha de Camlann, uma nobre chamada Morgana, mais tarde, a governante e padroeira da região e com uma estreita relação de sangue com o Rei Arthur, o levou para a ilha, agora conhecida como Glastonbury, a fim de que seus ferimentos pudessem ser cuidados. Anos atrás, a região também tinha sido chamada de “Ynys Gutrin” em galês, que significa a Ilha de Vidro, e destas palavras, os saxões invasores depois inventaram o nome do local “Glastingebury”.

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Annwn

Annwn ou Annwfn ou Annwvyn (Annwvn em Galês Médio, por vezes erroneamente grafado Annwyn, Annwyfn ou Annwfyn; Cŵn Annwn) era o Outro Mundo, a terra das almas que partiram deste mundo na mitologia galesa. Governado por Arawn, ou muito posteriormente, por Gwynn ap Nudd, era basicamente um mundo de delícias e eterna juventude, onde não existem doenças e há sempre fartura de comida. É dito que Annwn está localizado tão a oeste que nem mesmo Manawydan fab Llŷr o encontrou, e que lá somente se pode chegar morrendo. Mas, também foi dito que Annwn pode admitir pessoas ainda vivas, desde que elas encontrem a sua porta.

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Gwenved ou Gwenwed

Cercle de la félicité et de la plénitude, il est le dépassement du cycle des incarnations symbolisé par Abred, seuls les hommes sages peuvent parvenir au monde blanc2.
Dans la croix celtique, ce cercle est le plus petit (diamètre 9), au centre de la croix.

Círculo de felicidade e plenitude, é a superação das encarnações simbolizados por ciclo Abred só os sábios podem alcançar o mundo branco.
Em cruz celta, este círculo é a menor (diâmetro 9) no centro da cruz.

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Keugant

Selon les Triades de l’Ile de Bretagne, le cercle de Keugant (ou Ceugant) ou encore Cercle Vide1 est celui de l’Incréé. Dans ce cercle, seul le Créateur peut résider. Appliqué à la géométrie de la croix celtique, Keugant est le Cercle extérieur, mais la phrase doit être modifiée pour obtenir2

« Keugant, EN DEHORS duquel nul sauf l’Incréé ne saurait résider. »

En effet, les autres cercles sont inclus dans celui de Keugant qui représente alors celui de la Création.

De acordo com as Tríades da Ilha da Grã-Bretanha, o círculo de Keugant (ou Ceugant) ou um círculo vazio representa o não-criado. No círculo, apenas o criador pode residir. Aplicado à geometria da cruz celta, Keugant é o círculo exterior, mas o período deve ser modificado para se obter 2

“FORA Keugant que ninguém, exceto o incriado não podem residir. ”
De fato, os outros círculos são incluídos em um dos Keugant que representa então que da Criação.

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Mag Mell

Mag Mell (“planura da alegria”) na mitologia irlandesa é um reino mítico onde só se podia chegar através da morte e/ou glória[1] (ver também Tír na nÓg e Ablach). Diferentemente do mundo inferior de algumas mitologias, Mag Mell era um recanto paradisíaco, identificado ou como uma ilha a oeste da Irlanda ou como um reino sob o oceano.[1] Em sua versão insular, foi visitada por vários heróis e monges irlandeses, formando a base do Mito da Aventura ou “echtrae”, conforme definido por Myles Dillon em seu livro Early Irish Literature. Este “Outro Mundo” é um lugar onde doença e morte não existem, é um lugar de eterna juventude. Lá, a felicidade dura para sempre e não se precisa comer ou beber. É o equivalente céltico dos Campos Elísios grego ou do Valhalla nórdico.

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Sídhe

A região do lago Bassenthwaite em Cúmbria: um sítio reputado como sendo habitado pelos sídhe.
Sídhe, sìth ou sidh é uma palavra irlandesa e escocesa que se referia inicialmente a colinotas ou montes de terra, os quais se imaginava como o lar de um povo sobrenatural vinculado às fadas e elfos de outras tradições, e posteriormente, a estes próprios habitantes. Dos Sídhe acreditava-se serem os ancestrais, os espíritos da natureza ou as próprias divindades.

Posteriormente, muitos passaram a encarar os Sídhe como uma versão literária dos Tuatha Dé Danann (os deuses e heróis divinizados da mitologia irlandesa). Na crença e prática popular, os Sídhe são freqüentemente reverenciados com oferendas e toma-se cuidado para que eles não fiquem irados. Deles usualmente se fala através de eufemismos como “Os Bons Vizinhos”, “O Povo das Fadas”, “Os Nobres” ou simplesmente, “O Povo”, na esperança de que se os humanos os considerarem gentis, provavelmente eles assim o serão. Nesta acepção, os nomes mais comuns para eles são Aes Sídhe, Daoine Sídhe e Duine Sìth, os quais significam, literalmente, “Povo de Paz”.

Banshee ou bean sídhe, significa simplesmente “mulher dos Sídhe”. Todavia, a expressão passou a indicar especificamente as mulheres sobrenaturais da Irlanda que anunciam uma morte iminente com seus gritos e lamentos. Sua contraparte na mitologia escocesa é a Bean Nighe – a lavadeira que é vista lavando as vestes ou a armadura ensanguentada da pessoa fadada a morrer. Outros nomes comuns são “Leanan sídhe” – a “fada amante”; o Cait Sidhe – um gato encantado e o Cu Sith – cão encantado. Os “sluagh sídhe – “a hoste das fadas” – são algumas vezes representados no folclore irlandês e escocês como espíritos que se movem pelo ar como bandos de pássaros. São de natureza desagradável e talvez representem os mortos amaldiçoados, maléficos ou sem descanso.

Sídhe são por vezes vistos como ferozes guardiães de suas moradas – sejam elas uma colina encantada, um círculo das fadas, uma árvore especial (freqüentemente um pilriteiro), ou talvez um loch em particular ou uma floresta. O Outro Mundo celta é visto como estando próximo do momento do crepúsculo e da aurora, por isso é visto como um momento especial para os Sídhe, bem como para festivais como o Samhain e do Midsummer. Os Sídhe são geralmente descritos como estonteantemente belos, embora possam também ser terríveis e asquerosos.

Algumas fontes descrevem os Sídhe como remanescentes dos Tuatha Dé Danann (“povo da deusa Danu”), que abandonaram a Irlanda para viver no Outro Mundo depois de terem sido derrotados pelos Milesianos. De acordo com o Lebor Gabála Érenn (O Livro das Invasões), os Tuatha Dé Danann (também “Daoine Sídhe”), foram derrotados em batalha pelos Filhos de Míl Espáine, meros mortais. Como parte dos termos de rendição, os Tuatha Dé Danann concordaram em residir no subsolo, em síde (singular síd), as colinotas ou montes que pontilham a paisagem irlandesa. A cada líder de uma das tribos dos Tuatha De Danaan, foi dado um monte. Posteriormente, devido a corrupção do significado, tanto os montes quanto as entidades sobrenaturais se tornaram conhecidas pela mesma palavra: síd; com a mudança da língua através dos tempos, tornou-se sídhe, sìth e sí.
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Tír na nÓg

Tír na nÓg, chamada em inglês de Land of Eternal Youth (“Terra da Eterna Juventude”) ou Land of the Ever-Young (“Terra dos Sempre Jovens”), é o mais popular dos Outros Mundos da mitologia irlandesa, talvez mais conhecido pelo mito de Oisín e Niamh do Cabelo Dourado. Foi onde os Tuatha Dé Danann ou sídhe se fixaram depois de abandonar a superfície da Irlanda, e foi visitado por alguns dos maiores heróis irlandeses. Tír na nÓg é similar a outras terras míticas irlandeses tais como Mag Mell e Ablach.

 

Fonte:

Wikipédia.

Calendário Roda do Ano : Versão Didática!

Posted in Celtismo, Fratria, Imprensa, Lei Comum on 26/03/2017 by Briogáledon

Nossa nova edição do calendário adotado em Briogáledon.

 

CLIQUE PARA AMPLIAR

ou baixe aqui: Calendário Roda do Ano – Briogáledon

Celtas e Íberos na Política: o Fine Gael

Posted in Celtismo, Cultura e História, Etnias Celtas e Íberas on 23/11/2014 by Briogáledon

Dando continuidade à seção, e de modo auxiliar a Celtas de língua portuguesa, começaremos a falar dos movimentos políticos Celtas e Íberos visando a prover uma introdução àqueles que buscam um caminho ideológico tipicamente ibero-céltico.

Este tópico não significa apoio formal a nenhum dos movimentos aqui apresentados.

fine

Outro partido político Irlandês de identidade Celta, ao adotar nome em idioma Celta Gaélico, o Fine Gael possui posturas mais interacionistas que o Sinn Féin, do qual já falamos. De linha porém também unionista da Irlanda do Norte à República da Irlanda, o Fine Gael cujo nome significa tribo (ou família) dos Irlandeses, é um partido de ideologia social-democrata, que lista entre seus valores fundamentais:

  • a igualdade de oportunidades;
  • a retidão fiscal;
  • a livre iniciativa e a livre remuneração;
  • os direitos e responsabilidades individuais

Apresentação do Fine Gael em inglês.

É fortemente a favor da União Europeia e contrário a insurreições violentas. A Ala jovem do partido, Jovem Fine Gael, foi criada em 1977. Fine Gael é um membro fundador do Partido Popular Europeu e membro da Internacional Democrata Centrista.

Para saber mais:

 

Artigo Traduzido: Crepúsculo dos Celtas (Twilight of the Celts)

Posted in Celtismo, Cultura e História, Etnias Celtas e Íberas, Idiomas, Lingüística Histórica on 10/11/2014 by Briogáledon

Nota da Tradução: Este artigo não necessariamente expressa a opinião de Briogáledon ou da tradutora, mas o mesmo foi traduzido e é aqui divulgado para conhecimento de leitores e leitoras, e para difundir a percepção ampla de assuntos que se referem a Movimento Celta.

Crepúsculo dos Celtas

Em toda a Europa, as línguas celtas centenárias estão morrendo, enterradas sob uma forma linguística da globalização. Marcus Tanner relata uma tragédia cultural.

Na aldeia de St Anne la Palud na Bretanha ocidental, eu segui os santos celtas quando desceram para o mar na festa religiosa anual que é chamada por “Grande Perdão”. Uma missão para descobrir o que restava de culturas celtas da Europa me trouxe a este que é um dos mais tradicionais dos festivais de folclore bretão, e eu fiz uma nota dos nomes dos santos locais bordados nos estandartes brilhantes, vermelhos e verdes, içados por resolutos bretões em vestimentas tradicionais. Lá estavam eles, St Samson, St Meryadoc, St Pol e uma série de outros homens e mulheres galeses ou irlandeses, que trouxeram a fé e a cultura celta a esta terra a cerca de 1500 anos atrás

Sua memória é um testemunho dos laços enfraquecidos que ligam todas estas terras juntas. Então, é a linguagem. Como os peregrinos rebateram um cântico em Breton. “Intron Santez Anna“, “Lady Anne, salve o seu povo bretão em terra e mar”, ocorreu-me como estrangeiro deve ter soado aos ouvidos franceses, e quanto mais familiar a qualquer pessoa com um conhecimento de Galês, digamos, pois as duas são línguas irmãs. Elas são parte da família de línguas celtas que se estende de Bretanha,através da Cornualha e País de Gales,atéà Irlanda e à Escócia. Mas a quantia que pode desfrutar essa conexão fica menor a cada ano que passa, pois, como eu encontrei na minha viagem, as línguas celtas – e grande parte das culturas que cresceram a partir delas – estão em seus estertores. Dentro de uma geração terão praticamente morrido como línguas comunitárias, exceto em algumas partes do País de Gales e um punhado de ilhas ao largo da Escócia e Irlanda. Elas irão viver, Mark Masson, um ativista Bretão em Finisterra, me disse, como “línguas de sociedades, como uma linguagem de internet, uma comunidade de interesse– quase como ser alegre (*)“.

A Bretanha apresenta um exemplo extremo de colapso cultural celta até à década de 1940.O Bretão permaneceu a língua materna de uma nação, a oeste da linha norte-sul em estabelecida próxima de Vannes até St Brieuc. Apoiados pela Igreja Católica, e considerados como a resistência dos bretões ao ateísmo francês, este posto celta continental resistiu por séculos de ataques franceses. Já não, não mais. Os milhões de falantes Bretão da década de 1920, eram600 mil na década de 1960, e são apenas cerca de 260 mil hoje, de acordo com pesquisa do próprio governo. Como a maioria tem mais de 60 anos, uma identidade distinta do Bretão agora enfrenta a extinção. Como um jornalista de televisão Bretã, Ronan Hirrien, um dos poucos falantes mais jovens, disse-me, foi uma cultura de auto-ódio inculcada pelo francês dominante que finalmente conseguiu induzir o suicídio cultural. “Depois da guerra, todo mundo fez a mudança para o francês,” M. Hirrien me disse. “Francês era o caminho para a modernidade e uma vida melhor, e as escolas ministravam em francês e ministravam sobre a França.”

Era cada vez mais difícil, M. Hirrien acrescentou, de se encontrar pessoas capazes de participar de programas de televisão em língua Bretã. “Cada vez mais está se tornando como um clube”, disse ele, ecoando as palavras de M. Masson.

Ele não sentiu raiva, apenas tristeza. “Estamos perdendo uma linguagem que tivemos por 15 séculos. Já, as crianças não têm ideia de como os seus avós viveram. Elas têm uma nova cultura.”

Como eu encontrei na Irlanda, Escócia, País de Gales, na Ilha de Man, na Nova Escócia e e na parte galesa da Patagônia o caráter solene e bastante horrível dessa tragédia cultural é mascarado pelo obsessiva conversa estridente de um renascimento celta. O debate sobre o futuro dessas culturas parece ter sido apropriado por pequenos grupos de revivalistas auto-conscientes que são geralmente pessoas de fora, muitas vezes imigrantes ingleses, e cuja militância tem a qualidade um pouco cega de um certo tipo de entusiasmo religioso.

Assim, a queda real, selvagem da cultura nativa é simplesmente negada. Ela também é disfarçada pela quase onipresente, por vezes, imbecil, o uso da palavra “Celta” e “Céltico” para quase todos os departamentos da vida, que por sua vez faz com que muitos visitantes a estas terras acreditem que deve haver algum tipo de avivamento acontecendo.A Bretanha tem bares de som psicodélico com nomes desconfigurados como “O’Keltia”, torneios esportivos chamados “Celti-ping” (sim, é o nome de um torneio de tênis de mesa), fileiras de livros sobre santos celtas e os seus poderes “cura” ou sobre os poderes de ervas “celtas” e outras receitas, além de pilhas de CDs de música “celta” – em grande parte da Irlanda, e muito do que poderia ser uma espécie de “Muzak” Celta composta de uma parte de violino, e duas peças de balada triste, cantada em voz alta lamentosa e em Inglês.

Mas enquanto o celticismo como um exercício de marketing nunca foi tão forte, a cultura e as línguas no núcleo continuam em silêncio a murchar a distância. Em todos os lugares, eu encontrei a cultura anglófona (ou francófona) da cidade que continua a absorver e subjugara Bretã, irlandesa do campo, empurrando a cultura mais velha, mais fraca,mais e mais ao norte ou oeste de língua gaélica, até que ela tem apenas a falésia e o mar a como quedas a sua frente. A tendência parece inexorável e unidirecional. Ilhas escocesas, como Skye, que estavam firmemente falando Gaélico a algumas décadas atrás, são esmagadoramente falantes de língua Inglesa agora, deixando apenas as Hébridas Exteriores para o Gaélico.

O que é deprimente sobre a morte dessas culturas celtas é que não se parece importar muito se o governo é amigável ou não. Na França, a tradição jacobina da centralização é francamente hostil a todos os rivais culturais, mas, mesmo na Irlanda, oito décadas de independência não respiram muita vida no que parece ser um cadáver. Mesmo sob um líder, como Eamon De Valera, que desprezava o Inglês e promoveu o irlandês, a anglicização prosseguiu incansavelmente, muitas vezes através do cinema. Hoje em dia, mesmo vendo todos os programas inovadores e de auto-consciência para a juventude de Connemara, a estação de televisão baseada em língua Irlandesa, TG4, o inglês continua a infiltrar-se no último bastião da Gaeltacht, a área principalmente da costa oeste da Irlanda, que foi designada como uma zona de língua irlandesa.

Um funcionário do Udaras na Gaeltachta, a divisão de desenvolvimento do Gaeltacht, me disse francamente que pensou que não mais do que 50 por cento da população local agora cotidianamente venha usando o irlandês em casa – bem abaixo nas estatísticas de apenas algumas décadas atrás. Todos os anos a expansão, cada vez mais internacional, da cidade de Galway invade ainda mais a fronteira do Gaeltacht, transformando as aldeias fronteiriças em cidades subúrbios dormitórios.

O funcionário do Udaras não estava exagerando. Quando eu fui a um pub no fundo do coração do Gaeltacht, perto da casa do velho ícone nacionalista Padraig Pearse (um fervoroso promotor da Irlanda), eu encontrei uma multidão adolescente de moradores gritando sem parar comentários em Inglês em um jogo esportivo ao vivo que era exibido em uma televisão no canto mais distante.

Parece haver poucas pessoas que podem fazer algo em relação a esta globalização cultural – esta conquista cultural constante através da tela da televisão. Um professor na Connemara, Gaeltacht, me disse que em apenas 20 anos, a linguagem de playgrounds de escolas primárias tinha deslocado em silêncio a partir do irlandês para Inglês, apesar de todas as classes estarem em irlandês. Um homem local, com dois filhos, me contou uma história similar. Enquanto seus filhos sempre falam irlandês com ele, ele disse: “assim que eu sair da sala, eu posso ouvi-los mudar para Inglês”. Na Irlanda, o Estado vai sempre apoiar o irlandês, mesmo se, como o Bretão, for cada vez mais uma língua de alunos urbanos com um vocabulário pobre.

A Nova Escócia oferece uma perspectiva muito mais chocante.Lá,uma forte comunidade de falantes de gaélicos Highlanders, que se instalaram lá na década de 1820, tem totalmente desintegrado; a linguagem no reduto gaélico de Cape Breton Island deixou de ser a língua principal das comunidade antes de 1918 para ser a língua de um punhado de octogenários. Lá, o gaélico foi moído em pedaços por guerras de linguagem amargas da costa leste do Canadá, colocando a língua francesa contra o Inglês, não deixando espaço para quaisquer outros. Curiosamente, mesmo as línguas nativas americanas por longo tempo esmagadas, estão se saindo melhor.

No entanto, a maioria das pessoas no Cape Breton diz que um renascimento celta está em pleno andamento. Eles apontam para o “Celtic Colours” um festival anual de música, os dias de “Celtic Taster”, a reconstruída “Highland Village”, e o “Great Hall of the Clans”, onde na loja ao lado, eu assisti turistas comprando seus kilts. O governo de Nova Escócia até mesmo reserva alguns meses para “Consciência Gaélica”.

Não tenho nada contra qualquer uma dessas coisas, especialmente a música, que é, certamente, crescente em festivais como o “Celtic Colours” como nunca antes. Mas eu achei estranho que nesse ativismo Celta auto-consciente, poucas pessoas parecem mesmo ter cronometrado o significado da morte da linguagem que sustenta tudo.

Como em tantas partes do mundo celta, há uma espécie de estado de negação. Leia a literatura para turistas em Cape Breton e você vai sair pensando que o gaélico vive feliz em partes nas mais remotas, assim como a indústria turística da Bretão é conivente em perpetuar a falsa noção de que nos cantos mais remotos da Bretanha, como no tempo de Gauguin, as mulheres continuam a usar os chapéus altos de renda e a conversarem em Bretão no cais, enquanto cortam o peixe fresco.

Mas, mesmo na aldeia Mabou, muito alardeada como uma espécie de centro cultural celta para a Nova Scotia, encontrei pouca evidência desta sobrevivência. Um professor de escola lá me disse que algumas crianças locais estavam aprendendo gaélico, mas admitiu também que eles nunca sequer aprenderam uma fração do vocabulário da velha geração, que estava morrendo rapidamente. A avalanche cultural Inglesa é relativamente recente em Cape Breton. Um homem local, Sandy Morrison, cuja entrevista em 1980, me deparei em uma biblioteca, recordou a sua surpresa ao ouvir o Inglês sendo usado pela primeira vez na igreja, em sua juventude. Ele escreveu:”Eu estava dizendo father (pai) quando chegamos em casa ‘O Senhor nunca vai entender! Como é que ele vai entender isso?'”

John Macdonald, entrevistado quase na mesma época, afirmou que agora não existe nenhuma esperança para o idioma antigo: “Ele só vai morrer e ir para o chão com as pessoas mortas. Isso é o fim de tudo, é isso.”

No momento em que cheguei a Nova Escócia,todas essas pessoas estavam mortas, e tudo que eu encontrei foram pessoas que se lembravam de outros, mais velhos, pessoas que falam gaélico, como Jim Macdonald. Quando eu perguntei se ele conhecia o idioma, ele apenas riu. “Posso dizer ciamar atha thu? – Como você está? – E é sóisso”, ele gargalhou. “Meus pais falavam gaélico entre si, mas para mim e meu irmão – nunca. Ambos se sentiram ridicularizados por seu mau Inglês e disseram que nunca iriam deixar isso aconteceria aos seus filhos.” (Eu pensei imediatamente em Ronan Hirrien que me disse que quando ele assumiu o Bretão, seu avô tinha ficado furioso, dizendo que a língua tinha trazido sua geração “nada além de dor”).

Nada pode parar a morte das línguas celtas como línguas da comunidade vivas? Eu acredito que não, exceto, talvez, no País de Gales, onde uma massa crítica de alto-falantes permanece em algumas partes, apesar de uma invasão de proprietários Inglês de segunda casa estar fazendo seu trabalho mortal, mesmo lá. Para o resto, eu não consigo ver um caminho. As pessoas que realmente habitam as peles dentro dessas línguas são, na maior parte antigas. Muitos são da crença de que suas línguas “irão para o chão com as pessoas mortas”, como John Macdonald disse certa vez.

Eram como três agricultores muito idosos que me deparei em um bar da vila na Bretanha, que conversavam em Bretão uns com os outros até que perceberam que eu, o estrangeiro, estava escutando. Imediatamente, eles mudaram para o francês, um me assegurando que “aimons Nous la Francaise aussi! – Nós amamos francês, também.” Eles não perceberam bem o quão triste eu achei a sua subserviência diante do altar da cultura francesa.

“O Último dos Celtas”, de Marcus Tanner é publicado pela Yale University Press, £ 20
COLUNAS NO MUNDO

País de Gales

1891: 910 mil falantes de uma população de 1,6 milhão

1921: 920 mil de 2.4m

1951: 714 mil de 2.4m

1971: 542 mil de 2.6m

Patagônia (País de Gales)

Não há números precisos, mas acredita-se que há cerca de 8.000 alto-falantes e em torno de Gaiman. A Assembléia galesa está incentivando um renascimento do galês e envio de professores para a área.

Bretanha(Bretão)

1886; 2m de 3m

1920: 1m de 3m

1960: 600.000 de 3m

2004: 268 mil de 2,9m (mais sobre 60)

Irlanda

1881: 924 mil de 5.1m

1926: 540.802 de 4.2m

1996: 71 mil fora de 3,9 milhões (números referem-se a alto-falantes regulares na República da Irlanda. Muitos mais reivindicam algum conhecimento da língua e também há muitos alunos na Irlanda do Norte..)

Cornualha

O Córnico morreu como língua falada no século 18. Algumas centenas de revivalistas afirmam falar isso agora.

Ilha de Man

Último falante nativo de Manx era Ned Maddrell, que morreu em 1971.Umas poucas centenas de alunos reviveram-lo.

Escócia

1881: 250.000 de 3.7m

1921: 150.000 de 4,8 m

1991: 65.958 fora de 5m

2004: 58 mil fora de 5m

Cape Breton (gaélico)

1880: 85.000 de 100.000

1920: 60.000 de 100.000

1961: 3700 de 100.000

2004: cerca de 500 dos 109 mil

Tradução Livre do artigo Original Twilight of the Celts: Throughout Europe, the centuries-old Celtic languages are dying out, buried beneath a linguistic form of globalisation. Marcus Tanner reports on a cultural tragedy.

* Trecho original: almost like being gay, na dúvida na tradução, optou-se pela tradução literal.

Celtas e Íberos na Política: o CEIVAR

Posted in Celtismo, Cultura e História, Etnias Celtas e Íberas on 10/11/2014 by Briogáledon

Dando continuidade à seção, e de modo auxiliar a Celtas de língua portuguesa, começaremos a falar dos movimentos políticos Celtas e Íberos visando a prover uma introdução àqueles que buscam um caminho ideológico tipicamente ibero-céltico.

Este tópico não significa apoio formal a nenhum dos movimentos aqui apresentados.

O CEIVAR

Um dos movimentos emancipacionistas da Galiza/Galícia , uma das Comunidades Autônomas de Identidade Celta, por ora, membro do Reino da Espanha. O Ceivar se destaca pelo posicionamento popular socialista, mas sem a perda da identidade Celta, apesar das tentativas do Reino da Espanha de os classificar como terroristas, o Ceivar é um movimento político bastante pacífico, que se concentra em táticas de campo como manifestações, protestos, fóruns de discussão, campanhas pblicitárias, imprensa online, e o mais próximo de uma tática “agressiva” são as pichações de espaços privados ou públicos com dizeres exigindo a libertação de presos políticos independentistas ou o fim da repressão policial. Então, em linhas gerais, pode-se dizer que o Ceivar é uma resistência ativista essencialmente pacífica.

10574414_1532877416931745_3977215611679803875_nFonte: Ceivar

O movimento não deve ser confundido com o Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive, que foi um movimento bastante anterior, embora o grito Galiza Ceive! também seja repercutido pelo Ceivar e por outros movimentos atuais, pois as táticas utilizadas pelo Ceivar são a priori bastante diferentes de uma “luta armada”. Embora o Reino da Espanha atribua explosões de bombas a alguns movimentos independentistas, a autoria desses explosivos parece muito questionável.

Sobre essas questões, recomendamos os artigos em Língua Galega:

10429278_1555472078005612_4846696366403674751_nFonte: CEIVAR

Eles se qualificam como um organismo popular anti-repressivo sem lhes dar a si próprios quaisquer rótulos partidários ou ideológicos, agregam pessoas das mais diversas idades, e estão espalhados pela Galiza, encontrando também aliados para além das fronteiras territoriais, em outras comunidades autônomas como o País Basco, ou mundo a fora, mediante descendentes de Galegos e simpatizantes do movimento.

10584020_1533939463492207_8645670763750082231_nFonte: CEIVAR.

A organização do movimento é essencialmente midiática e informativa, demonstrando o foco na educação dos ativistas e na atualização de informações no tocante a libertações de presos, ou outras prisões, planejamentos de manifestações, e outros eventos, ou informe de alterações legais do Reino da Espanha.

10620531_1557435077809312_21876182360373118_nApesar de serem essencialmente pacíficos, os ativistas do Ceivar sofrem constantemente a brutalidade da Guarda do Reino da Espanha, que tem demonstrado extrema crueldade com movimentos ativistas.

Para conhecer mais o CEIVAR, o leitor ou leitora pode acessar sua própria página:

 

 

Celtas e Íberos na Política: O “Sinn Féin”

Posted in Celtismo, Cultura e História, Etnias Celtas e Íberas on 02/11/2014 by Briogáledon

Inaugurando a seção, e de modo auxiliar a Celtas de língua portuguesa, começaremos a falar dos movimentos políticos Celtas e Íberos visando a prover uma introdução àqueles que buscam um caminho ideológico tipicamente ibero-céltico.

Para iniciar esse estudo, hoje falaremos de um dos mais importantes partidos europeus que tem sua origem dentro da identidade Celta a começar pelo próprio nome, o SINN FÉIN!

Este tópico não significa apoio formal a nenhum dos movimentos aqui apresentados.

SINN FÉIN

Sinn_Féin_logo

Sinn Féin (/ ʃɪn feɪn / shin-fêin) é um partido político republicano irlandês ativo tanto na República da Irlanda quanto na  Irlanda do Norte. O nome é irlandês e significa nós ou nós mesmos“. Sua origem está na organização Sinn Féin fundada em 1905 por Arthur Griffith, e que levou até à sua forma atual em 1970 após uma cisão no partido (a outra parte é o Partido dos Trabalhadores da Irlanda), e já esteve associado com o Exército Republicano Irlandês Provisório, uma divisão temporária do grupo terrorista e guerrilheiro independentista IRA . Gerry Adams foi presidente do partido desde 1983.

É muitas vezes apresentado como o principal partido por detrás da Independência da República da Irlanda.

O Sinn Féin se desvinculou do IRA após o início dos anos 2000, ou em particular após 2004, depois de divergências nas táticas usadas para fazer oposição à Ocupação Inglesa na Irlanda do Norte, como o roubo de £26.5 milhões (libras esterlinas) ao Banco do Norte em Belfast, Irlanda do Norte,  enquanto o Sinn Féin se engajava numa política de estabelecimento de paz, gerando um desconforto entre partido e guerrilha republicana, culminando com o fim de atividades terroristas pelo IRA oficialmente no ano seguinte, 2005.

Sinn Féin é atualmente o segundo maior partido na Assembleia da Irlanda do Norte, onde tem quatro postos ministeriais na partilha do poder Executivo da Irlanda do Norte, e é o quarto maior partido na Oireachtas, o parlamento da República da Irlanda. Sinn Féin também recebeu uma pluralidade de votos Irlanda do Norte no Reino Unido na eleição geral de 2010, embora o Partido Democrático Unionista tenha conquistado mais assentos.

Em termos de política, é um partido de fortes vínculos ao Celtismo Irlandês, não apenas por desenvolver uma política própria, mista de propostas de diversas origens teóricas, sendo por vezes de difícil catalogação entre ideologias como nacionalismo, socialismo ou mesmo liberalismo, representando uma via de política propriamente irlandesa, e propriamente Celta, mas sem perder o acesso aos métodos e teorias do pensamento Filosófico Mundial.

No tocante a suas lutas e reivindicações, o Sinn Féin, busca no SOCIAL E CULTURAL:

  • A criação da União Irlandesa;
  • Que os 18 deputados da Irlanda do Norte sejam autorizados a se sentar como deputados completos na Dáil Éireann;
  • Acabar com a seleção acadêmica dentro do sistema de ensino;
  • Apoiar a criação de um “Ministério da Infância”;
  • Fazer pressão diplomática para o fechamento de Sellafield, a usina de reprocessamento nuclear (na Grã-Bretanha);
  • Busca um projeto de Língua Irlandesa na Irlanda do Norte que dê ao Irlandês a mesma importância que o Galês já tem no País de Gales;
  • Pressão para promover o ensino da língua irlandesa na Irlanda do Norte;
  • Apoia o casamento de pessoas do mesmo sexo, e luta contra as proibições a isso.

No tocante à ECONOMIA:

  • Aumento em três vezes do salário do trabalhador médio;
  • Reformas tributárias sobre ganhos;
  • Controles salariais de membros de governo e ministros;
  • Normalização de isenções fiscais discricionárias;
  • Maior investimento do Estado na economia;
  • Reformas fiscais no tocante a propriedades e hipotecas;
  • Criação de um fundo do governo para ajudar pequenas e médias empresas;
  • Criação de uma economia para “toda a Irlanda”, alterando a política fiscal;
  • E maior investimento para aqueles que são deficientes.

No tocante à SAÚDE:

  • Criação de um serviço de Saúde unificado para “toda a Irlanda” semelhante ao Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido;
  • Criação de limites para pagamentos de consultas;
  • Abolição das taxas de prescrição para pacientes cartão de saúde;
  • Expansão de centros de primeiros socorros;
  • Remoção gradual dos subsídios de prática privada em hospitais públicos e a introdução de uma taxa para os profissionais para a utilização de equipamentos públicos e pessoal em sua prática privada;
  • Exame gratuito de verificação de câncer de mama para todas as mulheres com mais de quarenta anos, tanto na Irlanda do Norte quanto na República da Irlanda;

Nas RELAÇÕES INTERNACIONAIS, o Sinn Féin apoia a criação de um “Ministério para a Europa» suscetível de ser utilizado no Dáil. Eles apoiam a independência do País Basco da Espanha e da França, e se opõe ao bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Sinn Féin apoiam os palestinos no conflito israelo-palestino.

O Sinn Féin é um partido irlandês existente na República da Irlanda e na Irlanda do Norte, e podem se filiar nele todas as pessoas a partir de 16 anos, possuindo ele uma divisão hierarquizada em forma de conselho, em moldes Celtas. Mundo a fora em países como Canadá, Estados Unidos, Escócia, Austrália, e mesmo na Inglaterra, aonde quer que existam descendentes de irlandeses, há o costume de criação de organizações denominadas em inglês Friends Of Sinn Féin, ou FOSF, que são organizações republicanas irlandesas que visam tanto a buscar recursos quanto a manter boas relações entre comunidades imigrantes e a Irlanda.

Sites:

Em outro artigo, mais um resumo sobre outro movimento político de base íbera ou celta.

 

 

Saiba o que muda com a Independência da Escócia

Posted in Celtismo on 17/09/2014 by Briogáledon

Os Escoceses que já se veem predominantemente como uma Nação Celta e já integram a Celtic League, entidade político-cultural de povos ainda falantes de idiomas Celtas, tendem a reforçar sua identidade Celta, após o referendo da Independência, no entanto, ainda é de se esperar outro referendo interno pelo sistema de governo, havendo três opções básicas:

 

  • “Commonweath” que mantem um controle integrativo mas sem poderes efetivos da rainha inglesa, em um sistema de Monarquia Constitucional, saiba mais disso no Artigo da Revista Exame.
  • “Monarquia Constitucional Escocesa” que é o que desejam os monarquistas defensores da antiga linhagem nobre do país.
  • “República” que é o que desejam os socialistas escoceses.

A Escócia se tornará o segundo país Celta do mundo a se tornar soberano, após a independência da República da Irlanda nos anos 1920/1930 mediante guerra aberta.  Se ela decidir pela “Commonweath” não perderá autonomia nem soberania, mas admitirá obrigações a outros países membros que compõe as ex-colônias britânicas, mas de fato a rainha inglesa não terá poderes efetivos na Escócia, que será basicamente governada pelo seu primeiro-ministro e pelo Parlamento Escocês, esse já existente. Outras minorias étnicas Celtas como os Galegos (Galiza/Galícia), os Ligures (Ligúria, na Itália), e os Irlandeses da Irlanda do Norte, podem buscar reforço nesse fato para suas independências. A tendência futura é a formação de uma comunidade de países Celtas ou mesmo de países Celtas e Íberos, que poderá unir boa parte dos povos britânicos, dos povos da península Ibérica, parte da França, parte da Bélgica, parte da Suiça, parte da Itália, mas não de modo contínuo como uma só nação mas possivelmente uma espécie de acordo cultural, político e econômico como acontece nas Eurorregiões Identitárias, tal como a Galiza/Galícia já é.

Outros povos milenares de troncos vinculados a Celtas indiretamente como os Íberos, caso de povos como Catalunha, País Basco, Occitânia (essa na França) que já possuem interesse emancipacionista, ou mesmo de outros troncos étnicos como a parte Sérvia da Bósnia-Hezergóvina, ou o Tirol do Sul (na Itália), e várias e várias outras minorias europeias que lutam por independência ou minorias europeias que lutam por autonomia, entre outras reivindicações, poderão ganhar ainda mais força, ainda mais após as separações nacionais dos anos 1990 e 2000, e o mapa da Europa poderá se mudar de forma a romper o controle de alguns bancos sobre algumas economias, então o cenário financeiro da opressão e da dominação poderá mudar de modo a alterar as estruturas de economias imperialistas, embora hajam tendências de integração a níveis linguísticos, culturais e econômicos em muitas separações nacionais, mas deve haver uma reorganização por critérios ligados a história.

Em um primeiro momento, a Escócia será um país contrário à proliferação de armamentos nucleares e deverá exigir a saída de embarcações inglesas de suas fronteiras, alterando portanto a Geopolítica.

No caso de uma decisão favorável a independência da Escócia, esta só será declarada de fato em 24 de março de 2016. Até lá uma série de discussões para decidir sobre fronteiras, imigração, moeda, recursos naturais, dívida, setor financeiro, e segurança bilateral, deverão ter início entre Reino Unido (então estará com Inglaterra, Gales, Irlanda do Norte e Cornualha, se a Irlanda não se separar de imediato), e a Escócia.

É possível que a Escócia se torne membro da OTAN, mas não se espera que mude sua postura sobre armas nucleares, pois parece consenso dos movimentos pró-independência a oposição às armas desse tipo.

Então, aguardemos.

Celtas e Íberos: Estruturas Tribais Contemporâneas

Posted in Celtismo, Cultura e História, Etnias Celtas e Íberas on 01/03/2014 by Gustavo Augusto Bardo

No tocante aos povos Celtas remanescentes creio que haja densa variedade de sistemas organizacionais, aqui me dedicarei apenas aos com características tribais e tradicionais, ainda que atualizadas por modelos Contemporâneos e de acordo com comportamentos vigentes nas sociedades circundantes de hoje em dia. No tocante aos povos Íberos abordarei unicamente a estrutura dos Bascos por serem dos povos ligados a esse veio, os que talvez hoje em dia mantenham-se mais apegados ao seu modo de ser, embora os Occitanos e os Aragoneses também venham resgatando suas origens Íberas, e outros povos mais ainda estejam imersos no sono dos séculos.

Bascos

Os bascos são originalmente uma sociedade matriarcal e topocêntrica, ou seja, vinculados ao local de origem, sendo a maioria de seus sobrenomes relacionadas a seus lares de origem, e sendo a relação ao lar ancestral o maior sentimento de um basco. O patriarcalismo também é encontrado, mas é influência dos povos invasores de matiz visigótico. Os bascos possuem os txokos (esquina ou recanto, em idioma basco) festas gastronômicas até recentemente exclusivamente masculinas. Os bascos costumam se organizar em grupos em se assemelham a aldeias de origem, e são uma etnia formadora de guetos urbanos quando migram, em geral escolhem cidades de destino em comum para estarem próximos de outros do mesmo povo ou mesmo da mesma aldeia ou cidade de origem. Historicamente estão entre os povos mais antigos da Europa. Charles Berlitz, proeminente linguista, considera o idioma basco como uma língua oriunda do Paleolítico (Idade da Pedra Lascada) e faz destaque a palavras que acusariam lembrança de terem morado em cavernas. No entanto a genealogia basca parece deixar claro que são um dos poucos povos do mundo que predominantemente ao longo de sua história tiveram endereços fixos e residências estáveis, pois muitos sobrenomes se vinculam ainda aos locais em que se encontram. Antropologicamente, são enumerados entre os possíveis autores da  Civilização Megalítica.  A formação de Centros de Tradições, Grêmios Imigrantes e Centros Pioneiros, é previsível entre descendentes de bascos. Como a maioria dos bascos é católica romana, é previsível que também se organizem em paróquias.

Celtas

Diferentes dos Bascos, os vários povos Celtas possuem estruturas extremamente móveis de sociedade, que podem facilmente se deslocar de uma cidade a outra, embora tendam a se fixar, e podem facilmente operar de modo multicampi refletindo a estrutura da Civilização Celta que agregava os mais variados povos sem uma liderança comum, e com quase nenhum conflito entre suas tribos.

Os Celtas vem resgatando cada vez mais as óenach (ônak’), as assembléias populares intertribais, que estão de modo bastante evidente nos festivais Celtas atuais. Essas assembléias são bastante livres e abertas a todas as tribos, e permitem os mais variados tipos de propostas de parcerias. Os festivais tem cada vez mais se tornado óenach contemporâneas, e o termo óenach também vem ressurgindo.

A maioria dos grupos obedece a um de cinco modelos estruturais básicos:

  • Coven
  • Irmandade ou Confraria
  • Clã (clann, a palavra vem do irlandês e significa filhos, convencionalmente é compreendida como uma família maior descendente de um mesmo ancestral) ou Fine ( em geral é entendida como todos os descendentes de um mesmo tetravô.
  • Castrum, Oppidum, Crannóg ou Rath
  • Tribo (tuath, pronúncia: tuárr)

Coven

Os Covens são predominantemente oriundos da Wicca, uma religião pós-moderna de fortes bases Celtas, mas também influenciada por outras religiões Antigas e Medievais. Rituais de iniciação são previstos, não havendo uma regra para seus critérios. Costumam ser organizações consideradas jovens, em geral feitas por estudantes de religiões antigas, ou adeptos de Wicca e outras crenças similares, embora nos EUA, Europa e Canadá existam já covens bastante tradicionais. Em geral são grupos pequenos sem uma sede física fixa, que se reúnem com certa periodicidade para estudo místico ou festas tradicionais da própria Wicca.  No Brasil costumam ser criados por adolescentes, embora também existam covens de pessoas adultas e covens mistos, e o nível de formalização em geral são grupos de discussão online, páginas em redes sociais, ou blogs.  Conceito de Coven pela English Wikipedia:

Irmandade ou Confraria

Chamadas Fellowship Organizations em inglês, são em geral voltadas ao Druidismo e ao Neo-Druidismo, entre os Celtas, havendo uma IFDO, uma federação internacional de Irmandades Druídicas. Em geral possuem uma prévia estrutura formal como estatuto ou regimento interno, mas não completamente formais pois possuem cargos vitalícios, estruturas religiosas, e são entendidas como regidas por Leis de Costume. Em geral estabelecem regras de iniciações e estudos para a entrada de membros, e podem possuir grandes hierarquias. Hoje em dia muitas irmandades e confrarias possuem semelhanças com lojas maçônicas, embora, comparativamente sejam mais abertas e também aceitem livremente homens e mulheres, sendo no caso Celta predominantemente voltadas a Druidismo, embora também existam as Fraternidades Celtas Cristãs operando moldes estruturais semelhantes.

Clã ou Fine

“A família contida no rath fazia parte de um fine, um grupo maior que agregava em geral todos os descendentes de um tetravô comum. O fine era uma estrutura fundiária, e em geral agregava todos os rath de uma determinada parentela. As áreas comuns, entre os rath, florestas, campos, montanhas, eram de competência de todo o fine.” in A Aldeia Celta: O Espírito de Tribalidade de um Povo Genuinamente Nativo

Entre os Irlandeses e Escoceses a manutenção dos Clãs e das Fine, é bastante evidente. Embora a Fine seja mais mantida pelos Irlandeses. Mas esses conceitos também são bastante fortes entre os Norte-Portugueses, podendo ser percebidos claramente em famílias tradicionais rurais com essas origens no Brasil. Ainda que se refiram a propriedades individuais, os bens dos membros podem ser compreendidos como parte do coletivo do clã, sem atribuições de direitos ou permissões de outros membros sobre dada propriedade, mas existe esse sentimento de que há um espaço maior do qual se faz parte.

Entre os irlandeses o conceito Fine vem se confundindo já há quase um século com o conceito de Partido Político, e de Associações Civis em geral, passando a compôr os nomes gaélicos de alguns desses.

Clã na acepção convencional pela English Wikipedia:

Os Clãs também tem surgido com base na observação de interesses comuns, então existem Clãs Urbanos, em geral formalizados apenas eletronicamente nas figuras de grupos de discussões online, páginas de redes sociais, ou blogs. Em geral se voltam a debates acerca de história, religiões antigas, costumes, e ainda estão numa fase preliminar de resgate identitário, sendo nessa base urbana mais livres em sua formação, ainda que tomem o nome clã, não fazendo quaisquer exigências no tocante a co-familiariedade de  membros, embora possam atribuir regras variadas de aceitam aos moldes de iniciações mágicas dos covens.

Novos ou antigos não existe dúvida no sentido Antropológico de que os Clãs sejam estruturas tribais.

Castrum, Oppidum, Crannóg ou Rath

São unidades fundiárias e podem ser resumido como exemplos de comunidade familiares mono-nuclear (caso dos ráth e crannóg) ou tribais multi-clânicas (caso dos castra ou oppida) com estruturas permaculturais e certa auto-suficiência, podendo incorporar ofícios tecelões, ferreiros, marceneiros e de armoria (armas brancas), bem como manufaturas artesãs variadas. Muitas comunidades permaculturais e propriedades de descendentes de Celtas hoje funcionam aos moldes de um castrum (castro) ou ráth. Seguem os artigos na English Wikipedia:

Essas estruturas são fixas, podem passar por re-ocupações por outros povos, quando deixadas desertas, o que é raro, ou podem no caso dos ráth e dos crannóg ficarem desocupadas parte do ano, e serem ocupadas em épocas de mudanças de estações ou durante necessidade de proteção diante de ameaças externas. Hoje em dia todas essas unidades fundiárias possuem características tradicionais e patrimonialistas seja para manter a memória de castros ainda existentes tal como se percebem no interior da Galiza e Astúrias e do Norte de Portugal, seja mediante a reconstrução ou a réplica dos ráth ou crannóg para reviver costumes milenares antigos, então esses espaços, hoje em dia, sejam velhos restaurados ou novos replicados, possuem essa função de agregadora de memórias culturais e ponto de referência da identidade étnica.

Tribo (Tuath)

As tribos não são exatamente unidades fundiárias, embora a palavra tuath (pronúncia tuárr) seja traduzida como campo rural, as tribos de hoje em dia, que costumam se identificar como tuatha (tuárra, plural de tuath), costumam ter uma mínima formalização e ser multi-campi, podendo incorporar pessoas de diversas partes de um mesmo Estado ou Província, ou de todo um país, ou mesmo do mundo todo, caso de Briogáledon. Entre suas formalizações, costumam optar pelos manifestos, declarações, proclamações, ou cartas fundadoras, podendo possuir estatutos e regimentos, mas sem as formalizações completas, pois também possuem cargos em geral vitalícios e atribuem hierarquias em modelos Antigos e tradicionais. Há tuatha de todos os tipos, religiosas ou não, mas todas tendem a forte vínculo identitário em geral já entendendo os seus membros como parte de um coletivo verdadeiro e legítimo, mesmo que nem sempre formalizado de modo oficial. Podem possuir alguma legitimação de base étnica, um exemplo é a nossa própria Declaração de Etnicidade – Ratificação Unilateral Eletrônica.

Conceito de tuath segundo a English Wikipedia:

As tribos ancestrais genéticas hoje em dia vem sendo compreendidas como tuatha de origem de modo semelhante, embora em si ainda sejam entidades culturais subjetivas, com exceção das etnias remanescentes que existem enquanto Nações Celtas.

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CELTISMO: Parte II – Motivações

Posted in Áit an Tuath, Celtismo, Cultura e História on 01/07/2013 by Gustavo Augusto Bardo

CELTISMO

Quando o Europeu Nativo Originário Ressurge para Lutar por Liberdade

Parte II – Motivações

Gustavo Augusto Bardo

Antes de tentarmos compreender quais as motivações que diferentes etnias Celtas tiveram para dar início ao resgate de si mesmas enquanto Celtas, especificamente Celtas e não tanto outros tantos povos co-formadores como os Íberos, Alanos, Godos, Suevos, Vândalos Asdingos, Vândalos Silingos, Aquitanos, Francos, Visigodos, Ostrogodos, Getas, Cimérios, Ilírios, Réticos, Lígures, entre muitos e muitos outros mais, precisamos, antes de mais nada, compreender quais respostas estão embutidas dentro da Identidade Celta!

Um povo extremamente guerreiro, o povo por excelência das mulheres guerreiras, um povo nativo que cultuava divindades naturais, um povo muito apegado a suas tradições naturais, um povo que amava a liberdade acima de todas as coisas, um povo nativo mas mestiço das mais diversas tribos…

Eis a melhor descrição dos Celtas, nas quais tanto o viés do ambientalismo e da causa animal, quanto o viés da igualdade social, cabem perfeitamente, pois na verdade, sempre estiveram lá na cultura de nossos ancestrais Celtas, sim, um povo cuja grande maioria das deusas e dos deuses, e outros seres do chamado sídhe ou além-mundo eram identificados a forças da natureza ou a elas associados, com direito a árvores sagradas, animais totêmicos, uma religião que a despeito da existência de uma estrutura clerical coletiva, os druidas, os bardos e os ovates, tinha uma grande intimidade com o divino, que chegou a impressionar aos Romanos que não concebiam como um povo pudesse crer em divindades sem rosto, relacionadas a forças e elementos naturais, e chegaram mesmo a supôr que fossem os Celtas, ateus. De fato o costume da representação de divindades Celtas em estátuas é contemporâneo ao contato com Gregos e Romanos, de modo que não é surpresa encontrar semelhanças entre essas divindades materializadas como estátuas e efígies, e as divindades da Mitologia Grega e da Mitologia Romana, e assim esse foi o divisor mental entre essas civilizações Celtas e Greco-Romanas, o seu ponto de encontro e também o seu ponto de partida, o primeiro momento em que os Celtas sofreram passivamente um modelo de aculturação, e então surge o que a História convencionou chamar de cultura Galo-Romana.

A Natureza sempre impregnou aos Celtas, mesmo aos mais urbanos, sempre dependentes dessas forças, povo agro-pastoril mas também caçador, o costume de ter vários rath e também crannóg, e agir nomademente de um a outro era uma exigência de uma vida com baixo potencial predador, sustentável, e sazonal, que impunha os seres humanos às estiagens, e os fazia premente a necessidade de migrar para melhores campos, aonde houvesse maior sustento, e se hoje famílias tem esse costume de morar em uma casa mas ter outra para veraneio, isso se deve em grande parte aos Celtas, embora hoje o motivo seja o descanso e não tanto a falta de sustento. O rath ou castrum era essa estrutura semi-autônoma tribal, ainda existente como unidade rural, nas aldeias do Norte de Portugal, da Galícia, da Irlanda, da Escócia, entre outros lugares, essas aldeias produtoras de seu próprio sustento familiar e também de parte de seus itens, como algumas tecelagens de alguns vestuários e acessórios, como nas atividades metalúrgicas de algumas ferrarias e ferramentas, e antigamente, produzindo suas próprias espadas, como pequenas vilas detentoras de vida própria, que quase sempre precisavam migrar de uma parte do campo a outra, ao longo das estações do ano, e só puderam se tornar mais sedentárias com a chegada de melhores técnicas de cultivo trazidas por outros povos, ou quando apareceram os bois para a tração dos arados, ou os cavalos para arados e montarias, trazidos por outras tribos que viriam a ser também chamadas Celtas e também por povos sugestivamente aparentados em seus haplogrupos de DNA como os Alanos, e assim esses rath ou castrum (plural castra), foram se tornando as vilas rurais de hoje em dia nesses países e moldaram boa parte do que concebemos deva ser a estrutura de uma de nossas estâncias ou fazendas, mas naquela estrutura bem mais coletivos, democráticos e livres. União de tribos descentralizadas e sem qualquer critério apaziguador, disputando por vezes os mesmos campos em sua migração sazonal, de tempos em tempos explodiam rivalidades entre tribos, e então surgiam os crannóg essas aldeias com estocagens e produção artificializada em aterros, criadas em meio a lagos e rios, e semelhantes a ilhas artificiais, que irão antecipar o conceito do castelo cercado pelo fosso defensivo e tão usado durante a Idade Média, e sim muitos crannóg irlandeses e escoceses foram continuamente usados até à Idade Média e durante ela, habitações coletivas mantidas por clãs como nossas casas de veraneio, o lugar de segurança diante da iminência dos ataques de tribos rivais, ou diante da necessidade imposta pelas duras estiagens, uma área aonde quem moldava a natureza eram os próprios Celtas, em seus plantios artificiais, em condições intensivas e supercontroladas, e acima de tudo permaculturais, com todo o saber de segurança e estratégia que lhes assegurava um maior controle perimetral, e assim os Celtas já eram desde cedo exímios administradores da vida coletiva, mantendo por longo tempo afastadas as mais vis ameaças, inclusive o temível Império Romano cruel e escravista.

Natureza sazonal mas natureza controlada, a vida dos Celtas é desde muito essencialmente permacultural e sustentável, e seu modelo coletivista, profundamente estratégico e razoavelmente seguro. E hoje a demanda por ambas as questões, é assim tão importante… Então compreendemos que coisas tanto como Ambientalismo, Ecologia, Desenvolvimento Sustentável de um lado ou Segurança Pública de outro, sempre foram amplamente administradas com exímia habilidade por diversos povos Celtas, e então para algumas das nossas maiores indagações, apesar de não terem um único líder, mas sim muitos milhares, essas etnias que se viam como parentes entre si em diferentes graus, e que já possuiam igualdade entre gêneros, já tinham as respostas, e funcionaram bem satisfatoriamente a ponto de não apenas expulsarem ao temido Império Romano de várias de suas terras, como também vencerem a Vikings, Francos, Califados Muçulmanos e diversas outras tentativas de colonizações. Esses povos também eram inegavelmente mestiços e carregavam haplogrupos pré-históricos, ibéricos, indo-europeus, asiáticos e até norte-africanos e africanos orientais, como já é sabido geneticamente, e mesmo assim, se viam e se tratavam como parentes, e possuiam um mesmo estilo de vida! As respostas para a Democracia Cultural, também pareciam estar entre os Celtas.

E assim, quando no século XVIII escritores começam a buscar nos folclores rurais a inspiração para suas obras, e reencontram a mitologia Celta é também essa sociedade coletiva e tribal com todas essas respostas que encontram! Encontram um povo de mulheres e homens igualmente guerreiros que muitas vezes mal armados, mas melhor unidos e harmonizados, venceriam a temíveis exércitos invasores! Encontram ali o povo de uma Rainha-Guerreira Boudica vitoriosa em diversas batalhas contras os Romanos, ou de um guerreiro Caradoc ou Caratacus, que deu cruenta resistência ao mesmo império invasor, encontram ali as resistências ibéricas das tribos dos Galaicos, o a revolta lusitana de Viriatos o terror romanorum, terror dos romanos, ou a resistência de Numância, cujo horror à escravidão era tão grande que as mães celtas preferiram matar aos próprios filhos para não vê-los escravos dos Romanos padecendo de abusos sexuais, torturas e outras crueldades, e assim, a morte digna era muito mais desejada por todos! Encontram enfim esse povo sem medo da morte que perguntava aos feridos se desejavam continuar entre os vivos ou seguirem para o além-mundo e sempre respeitando o desejo do ferido, só lhe dava tratamento se desejasse de fato ficar entre os vivos, esse povo que carregava penas com cálamos pintados de vermelho para enumerar a quantia de inimigos mortos, e quando esses eram Romanos, as penas eram prateadas ou douradas, um povo extremamente guerreiro que apesar desses adereços macabros tinha na vida e na amizade uma honra sem fronteiras, e que apesar da rivalidade bélica com os Romanos, também aceitou parte de sua cultura, parte de seu vestuário, e muito de seu idioma em alguns povos, e que também se misturou geneticamente ao invasor. Um povo guerreiro que também lutou nas artes e na cultura e passou ao invasor Romano muito mais dessas do que recebeu!

E é quando nós descendentes descobrimos que esses nossos ancestrais já tinham todas as respostas que procuramos para vivermos de maneira segura, e de modo harmônico com a natureza a nossa volta, e em uma grande democracia com outros povos, mas não nos esquecermos de que a luta pela liberdade está acima de nós próprios, é que encontramos as motivações para resgatarmos a nossa identidade Celta, e isso não existia nos demais povos, todos desejosos de invadir, dominar e controlar, nós enquanto celtas mostramos ao mundo que nos cerca que podemos nos desenvolver sem nos impôr!

E assim, ao longo de séculos, etnias Celtas lutariam pela liberdade, viveriam de modo sustentável e coletivamente se protegeriam uns aos outros com as características de uma defesa amplamente agregada às possibilidades do espaço natural, e desse modo, surgiram a independência da Irlanda, em uma guerrilha partisã iniciada por Grace O’Malley séculos atrás, e preconizada por tribos de Caledônios, Icenos, Ordovices e Siluros, entre muitas outras, e assim estão hoje buscando as emancipações da Escócia e da Galícia, unindo conceitos como Vivamos como Galegos ou seja, de forma permacultural, tradicional e sustentável, ou trabalhando o amor às tradições, o resgate pela identidade Celta presente em movimentos que vão do britânico Celtic League até ao galego Galiza Ceive que a despeito de esquerdista não se priva de se associar à sociedade comunal primitiva e igualitária dos Celtas seus ancestrais, e assim, nativista, natural e vitorioso esse modelo antigo ressurge como a melhor resposta para diversos problemas criados e impostos pela invasão imperial Romana, pelo controle dos vestígios desse império por Godos, Francos, Visigodos, Ostrogodos, Saxões e outros mais, que trocam de lugar com os Césares ou ainda perpetuados pelos Reinos Medievais, e se haviam alódios, propriedades campesinas autônomas de camponeses que montavam a cavalo, faziam espadas e sabiam lutar, é porque haviam Celtas para os gerarem, e se essa cavalaria camponesa teve de ser absorvida como Pequena Nobreza é porque pressionava a esses reinos que precisavam abrir concessões caso contrário estourariam revoltas, como de fato estouraram diversas em todas as terras em que haviam descendentes de Celtas, e se foi na Galícia que os camponeses se tornaram os primeiros de toda a Europa a serem donos da própria terra, não é por menos, pois os ancestrais Celtas eram livres e porque ainda hoje na língua irlandesa, por exemplo, não existe nenhum verbo para representar a noção de propriedade, é impossível em irlandês se ter ou possuir qualquer coisa, e se usando dizer que a coisa está em alguém, também não se poderia conceber como povos invasores pudessem se apropriar do que não pertencia a ninguém, terra para ser ocupada sazonalmente, que no entanto, se tornaria propriedade de camponeses guerreiros Galegos, quando dentro do sistema servil de Castela decidem ter mais direito sobre a terra do que monastérios ou nobrezas estrangeiros. E assim, nós temos nosso vasto leque de motivações... e essas motivações também fazem ressurgir religiosidades, costumes, pensamentos, pois todo reencontro vem acompanhado do desejo de saber mais…

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CELTISMO: Parte I – Nós não somos Latinos!

Posted in Áit an Tuath, Celtismo, Cultura e História on 07/02/2013 by Gustavo Augusto Bardo

CELTISMO

Quando o Europeu Nativo Originário Ressurge para Lutar por Liberdade

Parte I – Nós não somos Latinos!

Permitam-me começar a falar dessa história ao contrário, ou seja, a partir do hoje, e não do ontem, embora também vá falar do passado distante, tenho certeza de que quem desejar se debruçar sobre o mesmo encontrará muito do que ler e assistir em documentários, e mesmo produções cinematográficas, pois o Celtismo tem ganhado as telas do cinema nos últimos 10 anos, e então não pretendo ser denso nas partes do passado, mas sim trazer o passado para o presente, para a compreensão de tudo o que ocorre agora, neste exato instante em que eu falo e vocês leem!

Antes de mais nada, vamos deixar aqui uma coisa muito clara, eu não sou um Ocidental, não também não sou um Oriental, eu sou um nativo, um originário, meu mundo ancestral não tinha divisões baseadas em leste nem oeste, norte nem sul, as fronteiras eram os territórios de cada povo, e alguns até trocavam de terras pelo nomadismo periodicamente. Sim, eu visto calças, uso tênis, e talvez até beba cerveja com os amigos se houver algo para comemorar, e acho sim que homens e mulheres são iguais em direitos, mas isso, não me faz Ocidental, isso meus queridos, isso me faz Celta! Pois foi o meu povo que introduziu as calças, também usadas pelos Alanos, e originalmente criadas apenas e tão somente para proteger a maldita da parte interna da perna na hora de se montar um cavalo! Por isso, em nossas etnias, homens e mulheres sempre puderam usar calças desde a Idade Antiga, a mulher usar calças só significava que montava a cavalo! Se fossemos basear o vestuário no dos Gregos e Romanos, cujas ideias e civilizações, ambas decadentes e desaparecidas da história humana, pautaram no entanto a Civilização Ocidental, então teríamos de andar de saias e nos cobrirmos com panos. As únicas invenções Romanas que vestimos são a sandália chamada franciscana ou a derivada alpercata, e a camisa com gola redonda, pois a camisa com gola em V, essa é Celta também! Quem inventou calçados com cadarço foram na Europa, os Celtas, o meu povo, e beber cerveja com as amizades para fazer tratados, acordos, negócios ou celebrar vitórias, sempre foi um costume gregário Celta! E a parte de homens e mulheres iguais, ora, isso meus ancestrais já sabiam há mais de 1.600 anos, tanto que muitas de nossas revoltas por liberdade e justiça tiveram mulheres lutando lado a lado com os homens, ou mesmo ao comando das batalhas! Entre alguns povos Celtas, a filha e a neta, preservam os sobrenomes da mãe ou da avó, como acontece com algumas tradições Irlandesas. Era a mulher Celta que escolhia seu marido entre aqueles que a pretendiam como esposa, o casamento obrigatório é coisa dos povos que nos invadiram. Portanto, ao fazer tudo isso eu sou o que sou, Celta, e não Ocidental, e você, ao se dizer Ocidental e fazer tudo isso, sinto informar, mas está usando traços de uma cultura ancestral e nativa, ou seja, de um povo originário, e no caso, da etnia Celta! Bom, agora que deixei claro que não sou Ocidental, deixe-me explicar porque nós os Celtas não somos Latinos!

Eu nem precisaria contra-argumentar sobre isso, porque o pré-existente levantamento de haplogrupos de DNA já atestou que a maioria dos povos supostamente Latinos é descendente de Celtas, Alanos e Íberos, os três povos nativos europeus, com tantas semelhanças entre si que em muitos países se tornaram misturas indissociáveis. A Eupedia, uma enciclopédia científica europeia traz toda a referência de pesquisa de haplogrupos, a repetirei aqui resumidamente, apenas a título ilustrativo!

Médias de Haplogrupos de DNA (Fonte: Eupedia), para R1b, descendentes de Etruscos (nativos Itálicos verdadeiros), Celtas, e outros povos antigos aparentados como Hititas e Tocarianos, esses já antigos.

  • 61% dos Belgas descendem de Celtas;
  • 69 % dos Espanhóis descendem de Celtas e Íberos, povos de mesmo haplogrupo e que se misturaram bastante na Península Ibérica e na França, índice no entanto maior que nas Astúrias (58,5%), Cantábria (55%) e Galícia (63%), que no entanto são Países Celtas reconhecidos oficialmente como de civilização Celta. Na Catalunha, 82,5% descendem de Celtas e Íberos, no entanto. E 85% do País Basco descendem de Celtas e Íberos, se não for o contrário, pois há teorias que apontam os Bascos como os ancestrais desses povos;
  • 61% dos Franceses descendem de Celtas e Íberos, na Bretanha são 80% de descendentes de Celtas.
  • 72,5% dos Escoceses descendem de Celtas, a Escócia é um país Celta reconhecido;
  • 83,5% dos Galeses descendem de Celtas, o País de Gales é um país Celta reconhecido;
  • 81% dos Irlandeses descendem de Celtas, a Irlanda é um país Celta reconhecido;
  • 49% dos Italianos descendem de Celtas e Etruscos (o verdadeiro povo Itálico, muito anterior aos Romanos, e aparentado aos Íberos), no Norte da Itália são 55%;
  • (faltou o dado da ILHA DE MAN, também um país Celta, no levantamento)
  • 56% dos Portugueses descendem de Celtas, o Norte de Portugal já está em processo de reconhecimento como uma euro-região Celta;
  • 48% dos Suíços descendem de Celtas, na Suíça já existe um movimento bastante forte pelo resgate do idioma Helvético, o celta gaulês da Suíça.

Esses dados se referem ao haplogrupo R1B, que não deve ser confundido com Romanos ao se dizer Ítalo-Céltico, pois se refere a povos ORIGINÁRIOS, e no caso esse ítalo significa os ETRUSCOS. Os romanos do Lácio, que criam o latim, no entanto eram aparentados aos gregos, e de haplogrupo J2, e aparecem na Itália na Idade do Bronze.“

Fonte: Quanto você sabe dos seus ancestrais nativos?

Então, quanto ao DNA, nem preciso gastar minha saliva, pois hoje em dia não existe nenhuma dúvida de que esses povos sejam de origens predominantemente Celtas, pois esses eram os povos antigos com R1b em suas áreas. Do ponto de vista Antropológico, as Artes e a Música também atestam variadas características desde o vestuário e instrumentos musicais como a gaita de fole até a um sem número de símbolos e representações do imaginário Celta, como comprova também a Arqueologia. A Linguística também atesta que existem muitas palavras Celtas e Íberas sobreviventes em nossos idiomas supostamente Latinos.

Mas para deixar claro de que nós não somos latinos, citarei uma única coisa que as pessoas parecem se esquecer: os Romanos Antigos não davam sua cidadania nem mesmo aos demais povos Itálicos e raramente se misturavam geneticamente a outros povos! Isso é um fato irrefutável, e só tornou-se mais amplo no fim do Império, quando estava ruindo, e aí sim, houve mais mistura com a cultura Celta que melhor combatia aos bárbaros germânico-nórdicos, tendo mesmo chegado a expulsar os Saxões das Ilhas Britânicas, e impedido os Vikings de invadir a Galícia, também seguraram os francos de Clóvis por quase duas décadas. Portanto, começar a aceitar os Celtas como parcialmente cidadãos, e a aceitar o casamento de romanos com celtas, foi uma tentativa frustrada de fazer o Império sobreviver! Mas ele foi para o saco do mesmo modo, deixou de existir, decaiu, findou, porque os Celtas não queriam já naquela época ser Romanos, eles queriam é ser Celtas mesmos! E pelo mesmo motivo de que não somos latinos, os primos Celtas da Irlanda, Gales, Man, Escócia, e Cornualha, também não se veem como Ingleses, pois os ingleses, são Anglo-Saxônicos, ou ainda Anglo-Normandos, enfim, germânico-nórdicos, e não Celtas. E aliás, muitos ingleses, são na verdade, Celtas, e já tem resgatado sua real origem e parado de se atritar com seus primos.

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